Wednesday, August 31, 2016

Rapidinho...

Acabei de ver que a Dilma foi impeachada
Não direi nada a respeito porque sei pouco (a escuta com o Lula chega-me mas...) mas isto ficou-me na memória:
Ontem ouvi um idiota português dizer isto:
Se os dirigentes políticos fossem afastados por aquilo de que acusam a Dilma, não teríamos dirigentes!
E?! A solução não seria - a ser assim - mantê-la mas afastá-los a todos!

Ela esteve bem! Disse que não era arguida, como alguns dos que a querem afastar!
E?! A solução não seria mantê-la mas afastá-los a todos!

A Vergonha e a Culpa (e, depois, um bocadinho mais)

Estou a ler um livro sobre neuro-ciência (quando me perguntaram o que estava a ler respondi isto mesmo e foi feito um esgar de dor. Sim. Saber ou querer saber cenas é chato mas ler analfabetos funcionais porque vendem muito...enfim).

Algumas das coisas que estou a ler são bastantes interessantes mas a maioria delas surgiram-me como intuitivas, ou seja, coisas que não saberia explicar - e agora sei mais ou menos - mas que entendia como consequências naturais.
Felizmente, apareceu a questão da Vergonha e da Culpa e deu-se uma luzinha do tipo caralho, como não me tinha lembrado disto?!, aquela luzinha que alegra as minhas leituras.

Então,
aparentemente, o sistema que controla a culpa e a vergonha é mormente o mesmo;
as expressões físicas da vergonha e da culpa são semelhantes;
a maior diferença será o facto de uma ser pública e outra privada (disto não me tinha lembrado e a culpa, que nem tanto a vergonha, é um tema que me interessa).

A Culpa desagrada-me muito e castiga-me muito. 
Poderão, então, pensar que me sinto culpado com frequência e estarão enganados. A perspectiva da Culpa é-me tão pesada que faço tudo o que posso para a evitar. 
Não tenho qualquer problema em fazer mal a alguém nem em destratar nem em ser antipático e, no limite, mal educado; o meu problema só surge quando faço alguma destas coisas sentindo que não o devia ter feito e, por isso, tenho muito mas muito cuidado.
Ainda hoje, volvidos muitos anos sobre algumas situações, tenho esgares de dor visíveis quando me recordo de uma idiotice que fiz. Não me passa. É como ferro quente gravado no cérebro.

A Vergonha é-me quase completamente desconhecida.
A única coisa que me deixa desconfortável - não sei se envergonhado será o nome certo - são elogios que entendo não merecidos e determinados tipos de declarações. Felizmente, porque nem nos elogios nem nas declarações sou comum, é difícil acertar-se no que me deixa à rasca.

De todo o modo, e voltando, não sofro de Vergonha e isso pode ter que ver com o facto de não me sentir culpado com frequência.

Outra explicação, mais rápida e talvez mais certeira é que a minha interioridade pode castigar-me muito violentamente mas o que os outros acham ou pensam é-me quase completamente irrelevante (escrevi quase porque há uma ou duas pessoas cuja opinião me interessa mas mesmo essas não têm grande interferência com o que, posteriormente, decidirei).

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Como sou um bocadinho extremado nas coisas que me interessam:

Há uns posts colei a última cena do filme sobre o Noel Rosa e, naturalmente, anda em loop desde aí.
Depois, andei a rodar com mais força o reportório que conhecia, já, relativamente bem e dei-me conta disto:

Os sambas do Noel são alegres. Basta ouvir o Gago Apaixonado e o Com que Roupa, por exemplo, onde é usada parte do hino nacional brasileiro.
Só que, depois, a mesma pessoa escreve Último Desejo (que é a da cena), uma coisa de cortar ao meio qualquer um.

Ora,
sendo certo que não considero Último Desejo triste mesmo por se referir a algo muito grande que existiu, é verdade que - ainda que a última estrofe tenha graça - a alegria não anda por lá aos bailaricos.

O que revelará isto do Noel e de muitos de nós, que não todos, felizmente?
Bem...
um gajo pode brincar com tudo e dar importância nenhuma a coisas que outros terão como sagradas mas há sempre uma parte que o humor só poderá abraçar muito ao de leve.
Para o Noel, e para outros, será o Amor mas pata todos será aquilo que não temos particular gosto ou vontade de mostrar. 

Ms. James


Tuesday, August 30, 2016

Desespero ou Estupidez?

Este é um mero exemplo e não uma declaração de princípio anti-religioso (poderia ser mas não é...).
Um determinado bonas previu que Cristo iria aparecer numa determinada data ou num determinado hiato temporal - não me dei ao trabalho de aprofundar.
Surpreendentemente, o pessoal apareceu mas Cristo, não.
O surpreendente que precedeu foi irónico ou sarcástico mas o próximo não:
Como não apareceu, foi agendada nova data e nova data e por aí fora. Surpreendentemente a cada data que passou foi aparecendo mais gente.
A Igreja Adventista do Sétimo Dia é, hoje, uma coisa com bastante importância e nasceu, como culto, mais ou menos como descrevi.

O que foi dito nunca aconteceu mas as pessoas não pararam de aparecer e cada vez em maior número.

Isto é espantoso e apesar de poder teorizar sobre os motivos não estou para aí virado.
O que me apetece dizer é isto:
Nós, humanos, por desespero ou estupidez, tendemos a achar que vai acontecer o que achamos que vai acontecer e não o que acontecerá de facto; tendemos a pensar que a realidade se ajusta às nossas vontades e não que não se ajusta a merda nenhuma.

Estou firmemente convicto que não teria aparecido à primeira reunião de recepção a Cristo mas tenho a certeza que não iria à segunda...

É como o pessoal da geringonça dizer que vai acontecer um crescimento económico nunca visto com as medidas que andam a implementar.
Como? Magia.

Built and they will come!

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Outra coisa engraçada, mais ou menos relacionada, é a construção mental a que nos damos ao trabalho para justificar algo que não foi a motivação do acontecimento.

Ah, eu comecei a jogar X porque queria fazer parte de uma equipa e praticar desporto. Pareceu-me, também, que aquele era o desporto certo porque é bastante físico e joga às minhas forças!
Tudo o que escrevi é verdade mas veio depois. O aconteceu mesmo é que queria comer uma gaja.

Sim, aqui posso ser o que me apetecer porque sou anónimo. É um escape e esta ausência de nome e de cara dá-me uma liberdade enorme e muito contribui para a minha sanidade mental!
Tudo o que escrevi é verdade mas veio depois. O que aconteceu é que escrevia num determinado lugar, onde deixei de ser tão anónimo e a coisa azedou. Porquê? Gaja, óbvio.

O racional do meu cérebro está dominado.
Eu posso usá-lo, se quiser, para vos mentir e fingir que o fundamento da minha actuação é lógico e sequencial - hábito aprendido também no desenrolar da minha profissão - mas, por norma, eu sei o que fez o quê acontecer e não aquilo que aparentemente fez o quê acontecer.

Mesmo nesta segunda parte do post, poderia ter tentado escolher outros exemplos de construções lógicas para actos que foram mais orgânicos que outra coisa, porque os há, mas não me apeteceu porque isso seria, em si, uma construção.
Não faz sentido estar a pegar em eventos fortuitos que aconteceram em vez de eventos recorrentes.

Porque Não Me Quero Esquecer (exercício estúpido porque não revejo nada do que faço por cá...)

Última cena de Noel, poeta da Vila:

...e a mesma música cantada pelo Ney (porque é sempre melhor e porque, curiosamente, ouvi-a ontem em momento em que ainda desconhecia que ia ver o filme, mais tarde).


Monday, August 29, 2016

Mais um Tema Recorrente



Colei este clip desta música não por gostar particularmente da interpretação da Teresa Cristina (depois de ouvir o Ney cantar qualquer cosia ficamos sempre limitados) mas porque, no fim, ela diz "essa música é de uma crueldade...", coisa que sempre achei mas que não tinha visto, ainda, verbalizado (é certo que ela diz que seria muito mais mal recebida, a música, se fosse uma mulher a transmitir a mesma mensagem mas, com isso, não concordo).

Nosso lar, em nosso lar sempre houve alegria
Eu vivia tão contente
Como contente ao teu lado estou.
Tive, sim
Mas comparar com o teu amor seria o fim
Eu vou calar
Pois não pretendo amor te magoar.

Ela tem razão.
Ele tem razão.

Provavelmente, a tristeza maior não será o facto de ele ter tido um grande amor antes que, se se atravesse a comparar, acabaria com o actual (com sublinhado, contudo: eu não acredito em mais do que um amor); provavelmente, a tristeza maior será que mesmo que a actual pessoa (não distingo sexos porque acho que é igual) soubesse disto, ficaria na mesma porque, afinal, o bom é inimigo do óptimo.

Não costumo citar Santos (nem sequer costumo citar) mas aqui cai tão bem...
Para muitos, a abstinência total é mais fácil do que a moderação perfeita.

Bem...no meu caso, acho que a abstinência é mais fácil do que qualquer moderação, mesmo que não perfeita.

BITCH PROBLEMS!(não estando certo se a Bitch, aqui, não sou Eu)

Enquadramento:
Encostado ao Bar a tentar ir buscar 2 cervejas:
Acreditas que este gajo tentou oferecer-me um shot?! (dito por uma gaja que estava ao meu lado no balcão)
- Acredito...isso é esquisito?
Ai, não gosto disso...
- Hmm...além de não te costumarem oferecer bebidas em bares suponho que também não tenhas estranhos a meter conversa, certo?
Bem, também se metem comigo...mas não gosto nada!
- Tens uma forma fácil de resolver isso: engorda 30 kgs que nem bebidas e nem estranhos a meterem-se contigo...

Contexto:
É-me difícil fazer uma descrição pormenorizada desta gaja mas tentarei...
. em primeiro lugar, teria vergonha de andar com ela na rua e muito mais ainda se a apresentar à minha mãe;
. o top que tinha vestido tinha uns atilhos do pescoço até ao fim das mamas, atilhos bem abertos e que ela fazia por alargar porque...tinha calor;
. os calções que tinha vestidos não cobriam todo o rabo e estavam, pareceu-me, fechados em vácuo;
. cara pintada ao ponto de uma criança de 20 e poucos parecer muito facilmente trintona e não muito bem conservada;
. diria que ela tentava o look Ana Malhoa em muito reles (ou mais reles, se preferirem).

...porque não foi largando - naquela coisa de gaja que acha que têm de trabalhar para ela, ou seja, chegando perto e olhando de soslaio - eu digo-vos ao que não está ela habituada: a que gente com quem ela mete abertamente conversa à espera de retorno não fique impressionada com todas aquelas mamas e coxas e cu.

O que ela desconhece, porque deve ser esquisito, é que não foi todo aquele ar de porca que me desmotivou, nunca é isso que acontece, o que me desmotivou foi aquela conversa chata de ai, sou tão boa que ninguém me deixa em paz... pois, pelos vistos deixa.

Ainda Cá Volto mas Como Ainda Não Decidi o que Fazer...

...para não me esquecer, aqui fica o que marcou como um ferro em brasa o meu Fim-de-Semana:


Friday, August 26, 2016

PPD

Acho que estava a padecer disto, Post Party Depression mas depois fui ver a definição no Urban Dictionary e não confirma.
PPD será o que sucede quando se volta ao normal depois de festejar porque a vida pós-festa é pouco estimulante.

Nunca sofri disto.
O PPD, para mim e especialmente quando durmo pouco, nada tem que ver com o descrito. O que me acontece é que ressaca e muito pouco sono fazem-me sentir sem energias e sem energias fico mais vulnerável a impulsos externo e internos.

Bem,
não é PPD.

Mulheres

Gosto tanto de Mulheres...

Não há vez nenhuma em que diga algo deste tipo que não pareça que estou a dizer, indirectamente, que sou mulherengo ou, dissimuladamente, a mostrar-me chauvinista. Mas não sou uma coisa nem outra.
Eu gosto mesmo de Mulheres...

Lembrando-me do que aconteceu a Tróia, por causa da Helena, ou o que se passou na Escócia, por causa da Murron, consigo perceber exactamente o que aconteceu. 
Gosto mesmo de Mulheres...

Numa escala infinitesimal do que se passou em Tróia e na Escócia, o impacto que as mulheres tiveram na minha vida não foi pequeno.
Como todos (ainda), foi uma Mulher que me trouxe ao Mundo e se não é mentira que precisou de alguma colaboração na fecundação não é mentira, também, que me carregou e, mais metaforicamente, nunca deixou de me carregar e não estou certo que alguma vez vá deixar de o fazer;
Menos como todos, foi por causa de uma Mulher que comecei a praticar um desporto que mudou tudo na minha vida; mudei de círculo, representei o país, entrei na faculdade que queria e, até, arranjei emprego;
Talvez mais comum, foi uma Mulher que me fez ganhar uma confiança que não tinha e que, felizmente, foi crescendo;
Normal mas menos reconhecido é o facto de terem sido Mulheres a revelarem coisas sobre mim que não sabia e que não conhecia; foram elas que me mostraram mais cinza e descolaram-me - ainda que menos do que gostaria - do preto/branco;
Gosto assim um tantão de Mulheres.

Se não fossem as Mulheres seria pior.
Começa, obviamente, na que me criou mas estica-se bem para além dela.
É à conta de Mulheres que quero ser melhor do que o que sou.
Costuma ser com fundamento numa Mulher que evito magoar e ser uma besta.
Sou um bocado avesso a carinhos a abracinhos. São manifestações de intimidade que me chateiam...a menos quer seja por uma Mulher e, neste caso, não servirá uma qualquer mas, de todo o modo, Mulher.
Gosto genuinamente de Mulheres.

Sempre que achei que tinha salvação - eu sei, eu sei. É dramático e exagerado mas quando falo em salvação refiro-me, basicamente, a ser mais próximo daquilo que acho que devo ser - foi uma Mulher que mo fez achar;
Sempre que a minha vida azedou um bocado foi sempre uma ou mais Mulheres que apareceram;
Sempre que encontrei alguma paz, coisa que, com muita pena, nunca foi tão duradoura como deveria ter sido, foi uma Mulher que mo deu.
Gosto de estar com Mulheres.

Não sei se isto transparece abertamente. Não sei se é captado sensorial ou extra-sensorialmente e a verdade é que as Mulheres retribuem-me.
(para não pensarem que só me refiro a sacar gajas)
É-me muito mais fácil conseguir o que preciso quando trato com uma Mulher;
É-me muito mais prático ser atendido por uma Mulher.

Tendencialmente, as Mulheres tendem a querer agradar-me;
As mais das vezes, as Mulheres tendem a querer tomar conta de mim.

Se você jurar, que me tem amor,
eu posso me regenerar.

Vem logo, vem curar teu nego 
que chegou de porre lá da boemia.

E, para não parecer que a salvação consiste, apenas, em tratar de mim:
És inigualável 
na arte de Amar.
Sou tão feliz
que até posso afirmar
jamais vivi um amor assim.
Um sentimento que eu sepultei.
Por desamor sofri,
confesso que chorei...

(e o resto, para não ser chacete)

Thursday, August 25, 2016

DUAS COISAS (isto anda muito movimentado, tempo a mais entre mãos...)

I
K, hoje estivemos a falar e chegámos à conclusão que és o mais velho e o único nessas condições. Tens de dar um rumo à tua vida!
- Como assim dar um rumo? Pareço perdido?!
Dar um rumo. Assentar os trapinhos. Deixar a rambóia.

Esta não é parva mas não é forçada a saber o que não sabe e a ver o que não é visível.
Parte do princípio que os trapos não assentam por algo que tem que ver comigo. 
Sendo certo que também pode ser, não é menos certo que não me parece ser esse o caso.

Pronto, K. Já estás outra vez a arranjar problemas onde não há. Não podemos ser assim. Deixa de ser burro.

Esta além de não ser parva, conhece-me melhor mas, como a anterior, não pode ver o que não é visível e, por não ser parva, baseia-se em conhecimento anterior e experiência passada.

....e isto só aparece aqui porque, além do demasiado tempo livre, a primeira conversa acabou de acontecer.

II
Há já uns quantos dias tem sido notícia a relação do Marcelo - agora Presidente da República - com a sua namorada de há 30 anos.
Perguntam-me vocês: e essa merda interessa porquê?!

Ora,
o Marcelo casou-se em 70 ou coisa que o valha e fê-lo pela Igreja; depois, divorciou-se (presumo que apenas civilmente) e nunca mais se casou...porque o tinha feito pela Igreja e não poderá mais.
Isto serão factos.

Saiu, entretanto, uma notícia que deu conta de que já com esta namorada em curso tentou reatar com a ex-mulher para não se divorciar.
Problema em voltar para a ex? 
Nenhum, desde que não seja só para não se divorciar;
Nenhum, desde que não continuasse a ter namorada (a notícia alude não ser este o caso).

O que me chateia isto?
Bem... eu estou a achar, não sendo nem próximo de um entendido, que a Bíblia há-de ter alguma coisa a dizer quanto a gente que tem namorada há 30 anos e que, muito possivelmente, há-de ter-lhe dado com ele.

Não!
O problema é divorciar. O que irá achar Deus?!

O Tema Da Ignorância Está a Tornar-se Recorrente...

(parafraseando umas linhas do último episódio do Blacklist)
Tenho uma genuína admiração por ti. 
Enquanto a maioria de nós decide o código de conduta a seguir e aquilo em que acredita e segue essa linha, tu acordas todos os dias a pensar o que será melhor fazer no momento em que tens de decidir.
Isso é coragem, para mim.

É certo que é usado o termo coragem mas isto em nada se distingue da ignorância.
É, de facto, mais fácil usar a mesma medida para todas as coisas independentemente do contexto e das circunstâncias e mais fácil ainda se torna quando a dita conduta ou a crença nos é dada e não criada.
A realpolitik é isto e isto é, também, o Henry Kissinger.
Podemos, com facilidade, diabolizar o Kissinger e a sociedade aceita esta caricatura...o que ocorre é que talvez a sociedade não consiga ver o quadro geral e não tenha a capacidade de aceitar que, na melhor das hipóteses, gente boa faz coisas más porque tem de fazer.

O Stephen Colbert - interregno para dizer que me surpreende e deixa contente que ele tenha sido escolhido para substituir o Letterman porque o que ele faz não é o entretenimento tipo Fallon - num segmento com alguém que, agora, não me recordo, disse qualquer coisa como isto:
Mas não era muito melhor ter alguém para nos dizer o que fazer? Um ditador poupava-nos tanto trabalho. Em muitos aspectos era tão melhor...
Sim, foi dito em tom jocoso mas é uma ideia filosófica que não é parva e, melhor, que explica o surgimento de Hitlers e afins.
Concedendo que a coisa depois descamba, na altura em que se escolhe uma figura autoritária a ideia é que não se tenha de suportar o peso de escolher cenas; a ideia é de que pensar e decidir cansa.

A diferença entre a fala do Blacklist e a ideia do Colbert?
Não sei se haverá alguma...

O que torna tudo isto muito divertido é que aqueles a quem este tipo de dúvidas assola - será melhor ter um ditador?! - são, na minha opinião, os mesmíssimos que não o aceitariam e, potencialmente, os revolucionários.

Aqueles que se dão ao trabalho de ponderar o que pode ser entendido como blasfémia são os mesmos que se permitem e conseguem fazê-lo;
Aqueles que pensam se não seria melhor sermos simples são os mesmos que não vivem em simplicidade.

To live is to suffer, to survive is to find some meaning in the suffering
FN.

Depressivo? Não.
Um gajo tem é de ser o mais livre que conseguir e não se prender a um tipo de moral que apenas traz benefícios aos que gostam de estar agrilhoados.

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E rockin out!


Wednesday, August 24, 2016

Do Fundo do Baú


Comportamento Condicionado

As condicionantes invisíveis são um assunto que me é muito querido e, sempre que dou uma volta por isso, acho que é mais querido do que deveria ser.
Mais uma das incontáveis vantagens da ignorância é a capacidade de desconhecer o que, não raras vezes, merece ser desconhecido.

Muitos responderão que isto que acabei de escrever pode ser parvo porque para melhorar ou ultrapassar comportamentos que nos prejudicam o melhor é conhecê-los...e estarão parcialmente certos.
Se é verdade que só conhecendo se pode altar não o é menos que isto nem sempre acontece; quer porque não temos força para isso quer porque optamos por não os alterar (não é bem a mesma coisa). Assim, o melhor seria podermos ter noção dos problemas que conseguiremos ultrapassar e não ter noção dos problemas que não conseguiremos ultrapassar, o que é uma contradição nos termos e matéria onde se poderia gastar um dos desejos que o génio nos concedesse.

Por exemplo:
Há mulheres que têm tendência para homens que abusam delas e algumas delas sabem que têm essa tendência e continuam a laborar no mesmo erro.
As que não conseguem ver a tendência, culpam o devir;
As que conseguem ver a tendência, culpam-se.
...é melhor culpar o devir quando não se consegue resolver um problema.

Até aqui, falei do mais comum dos problemas que é laborar no erro mas há um outro manifestamente mais chato.
Se erramos e sabemos que vamos errar a coisa é mais ou menos clara; ter noção do erro e tentar escapar-lhe pode ser mais desgostoso.

A tendência natural quando alguém puxa uma corda a que estamos agarrados é puxá-la também, pelo que quando temos noção de um determinado problema de que padecemos corremos o risco de fazer o mesmo, ou seja, tentar contrariar o comportamento.
Mas isso nada tem de errado, certo?
O princípio, não. O resultado...

Imaginem este cenário:
Vocês não confiam em ninguém e sabem que isso é claramente exagerado porque há gente confiável. Vocês sabem disto e já viram gente pegar fogo, na vossa vida, porque não confiaram nelas como deviam mas, provavelmente, não podiam.
Vocês são pessoas atentas e detectam o problema, então, numa qualquer próxima oportunidade vão contrariar a vossa desconfiança natural tentando racionalizá-la, ou seja, tendo atenção ao que pode, do nada, despoletar o demónio que vos habita.

Problema:
nesta ânsia de melhorar, racionalizam demais.
Olham para onde veriam incerteza e pensam hmm...lá estou eu a imaginar merdas! FDP de trauma! Vá de retro! mas, infelizmente, não veriam mas antes vêm e ignoraram porque cegos pela vontade de ultrapassar o comportamento condicionado de que sofrem.

Num dos episódios do House - já não falava dele há demasiado tempo - ele acertou numa determinada doença mas fê-lo por instinto, ou seja, nada de concreto indiciava que ele poderia estar certo.
Então, usaram o que ele prescreveu mas não lhe disseram. Melhor: disseram-lhe que não tinha resultado.
Quando o Wilson foi confrontado com o porquê de o ter feito, respondeu porque se lhe dissermos, nestas condições, que ele estava certo ele nunca mais duvidará de si!

A dúvida quase fodeu o House.
A dúvida pode foder-nos a todos.

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...e na sequência de coisas que se aprendem a apreciar:

Tuesday, August 23, 2016

Limites do Humor

Quando ouço esta questão dá-me vontade de rir porque acho que não há limites.
Talvez a resposta mais próxima da realidade seja O Bom Gosto mas mesmo isto é amplamente discutível.
Ontem ouvi um comediante dizer sabem o que não há em Lousada (acho que era Lousada)? O Rui Pedro... e ri-me a bandeiras despregadas.
Piadas sobre doenças, religião, sexualidade, racismo e que tais não me incomodam desde que o único intuito não seja ofender (e mesmo quando é, às vezes acho graça).

Ah mas e os visados? Também têm sentimentos... e devem ter mas se pensarmos sempre neste sentido nunca faríamos nada a coisa nenhum nem a ninguém.
O meu problema, por exemplo, com o cartoon de Maomé do Charlie não foi ser ofensivo, foi só não ter graça; há uns tempos vi uma imagem de um crucifixo metido numa gamela com mijo e não fiquei chocado, só me pareceu gratuito e de mau gosto (como a Última Tentação de Cristo).

Sucede que...

Outro dia deu o Braveheart.
O Braveheart talvez seja, de facto, o meu filme favorito (de facto porque foi e é o que vi mais vezes mas se me perguntarem qual o meu filme favorito a resposta será outra e será, por motivos óbvios, um filme que vi menos vezes) e é-o por mais do que uma razão.
Tem que ver com o desporto que pratiquei;
Tem que ver com uma ideia de honra;
Tem que ver com uma história de amor que considero sê-lo de facto.

Ora,
quando começa a desenrolar-se o romance entre o William e a Murron, ouvi uma piada sobre o que estava a acontecer e não achei graça nenhuma. Fiquei, até, um bocado fodido.
A piada que foi feita não foi ofensiva - quase nunca é - e nem demasiado perfurante. Sou capaz de ser manifestamente mais agressivo com assuntos manifestamente mais sérios e dramáticos...só que...

Não me vou alongar muito sobre este assunto porque não quero sentir toda a testosterona que me habita escapar-me mas ilustrarei:

Se alguém se rir quando estiver a ser tocada esta música ficarei muito fodido:

Outra Vez, Controlo...

Ontem fui mostrar as análises que fiz, coisa que adoro.
Poucas coisas me dão mais prazer do que ir ao médico. Poucas coisas me dão mais prazer do que entrar num lugar pensando que estou e sou saudável e descobrir que assim não é. E nunca se está saudável. Pode ir do cancro a uma unha encravada mas há sempre qualquer coisa. 
Infelizmente, tem-se tornado um hábito e, como quase todos os hábitos, passam a ser encarados com normalidade o que muito me chateia.

Em suma:
Chateia-me ir e chateia-me ainda mais estar a habituar-me a isso.

Bem, como de costume, não era nada disto:
A unha encravada de ontem foi um valor que apesar de não elevado está constantemente mais alto do que devia e com propensão a subir. 
Ora, apesar de não me parecer ser nada, vou pedir uma parecer à especialidade X e, depois, de acharem que é necessária alguma coisa é avisado.
Naturalmente, isto é chato, certo? Nem por isso. Não perco sono com isto e nem estou muito preocupado (sendo certo que o facto de lhe dar relevo suficiente para escrever sobre isso pode revelar que lhe dou mais importância do que devo).

O que queria dizer, a respeito, é o seguinte:
As pessoas, e bem, preocupam-se em poder estar doentes e em estar doentes.
Isto não me preocupa muito.
É verdade que não quero estar nem ser doente. É verdade que me causa transtorno estar doente. É verdade que prefiro ou preferia a saúde de ferro que sempre me acompanhou.
Mas lido bem com isto. Não constitui um problema. 
É possível - ainda que não o queira testar - que seja daquelas pessoas admiráveis por estóicas perante uma adversidade aterradora mas apenas porque não é aterradora.

Em suma:
os problemas não me preocupam nem temo enfrentá-los, reconhecendo que me custa mais enfrentar uns que outros.

O que me tira o sono é outra coisa: Incerteza.
Melhor: o que me tira o sono é Incerteza relativamente às coisas em que tenho controlo.

Por exemplo, seguindo o já descrito: se o resultado do pedido de parecer for mau, posso fazer alguma coisa a seguir mas não agora. Ou estou ou não estou doente e quanto a isso nada a fazer.
Já situações ou casos ou circunstâncias onde me meto mas posso sair, só porque quero, deixam-me muito mais tenso.

A única evolução que sinto ter acontecido no que tange à minha necessidade de controlar é que reconheci que há coisas que não controlo de todo e isso deu-me alguma paz.
Não se respira porque se quer nem se consegue evitar a corrente sanguínea, é o que é.

Talvez um dia passe a achar o mesmo em relação a outras coisas que podem também ser verdadeiramente incontroláveis mas ainda não será hoje.

Monday, August 22, 2016

E Não é?


É Tudo Igual...

Não é comum acontecer mas também não é caso virgem:
K, sou competente, na cama?

Isto é muito engraçado porque, na minha opinião, é relativamente irrelevante. Pode não ser completamente irrelevante mas...
Tenho memória de mulheres mais competentes e menos competentes, em termos técnicos, com quem partilhei a cama e outros locais. Seria, então, de prever que porque tenho ideia das qualidades ou falta delas isto seria importante.
Não é importante mas é mensurável.

Porque não é importante?
Estive a vasculhar a minha memória - que, para isto, é fraca. Não sei com quantas mulheres me deitei mas sei que não foram tantas quantas gostaria - e a pensar com quantas fiz repeat e, depois, confrontado o repeat com o seu desempenho não encontrei correspondência.
É sempre melhor uma mulher que dê no couro do que não dê mas, depois de dar, a coisa varia pouco. Depois de a comer, comer outra vez interessa-me menos (a maioria das vezes, nada). Pode dar-se o caso de, por não ser envergonhado, meter a carne toda no assador, ou seja, não me sinto desconfortável com um acto à primeira em que me sentirei confortável à segunda.

Ou seja,
sou capaz de saber e pensar caralho, aquela chupava que era uma maravilha! mas já não de caralho, aquela chupava que era uma maravilha, vou ligar-lhe!
Assunto fechado, assunto encerrado. Mais hão-de vir e, quando vierem, podem chupar melhor ou pior mas chuparão a primeira vez e verei as mamas a primeira vez e por aí. Isso é mais importante.

Ouço falar de gente que tem amigas coloridas há anos e não entendo...
A não ser por míngua de oferta, não percebo o motivo que leva alguém andar a lavrar o mesmo campo constantemente.

Ah, só pensas em foder!
Não, não é isso.
O que se passa é que gostando as coisas são, realmente, diferentes.
Sem qualquer excepção, só me deitei com a mesma mulher mais de - vá - 5 vezes quando gostei dela e em mais ocasião nenhuma.

A pergunta do início indicia a preocupação de que a falta de competência haverá de levar a que se procure alguém mais competente e, apesar de acreditar que tal pode acontecer, a relação não é linear.
Se assim fosse, gajas lindas e boas nunca seriam encornadas e... Percebem?!

Não serei inocente ao ponto de pensar que tudo é irrelevante.
Se quem estiver comigo se recusar a cair de boca - NUNCA ACONTECEU! - alguém há-de ter de cair;
Se quem estiver comigo se recusar ao que considero razoável - NUNCA ACONTECEU - alguém há-de ter de fazer.
Não se trata, contudo, de competência.

Deixem que vos diga:
tive a minha primeira namorada com 21 ou 22 e não poderia ser diferente.
Em tese, adoraria ter encontrado uma mulher para a vida toda quando tinha 10 anos e nunca mais variar mas a realidade nunca o permitiria.
Quando tive a minha primeira namorada já andava no circuito há algum tempo; quando tive a minha primeira namorada já tinha visto bastantes mamas; quando tive a minha primeira namorada já tinha comido uma preta.
Quando tive a minha primeira namorada, a minha sede de variedade estava mais ou menos satisfeita...
Se tivesse tido um relacionamento antes teria sido um encornador de primeira água. Teria andado desvairado à procura de tudo.

Bem,
meninas...não é por serem mais ou menos competentes que não vão apanhar um par de cornos.
Para os homens, não sei se é igual mas para as meninas posso garantir ser assim.

CORRE!

Há uns tempos, contaram-me que um determinado casal - que não conheço - estava nas ruas da amargura e que a merda iria, quase de certeza, arder.
O motivo do arder era e é mais ou menos desconhecido mas, quando me falaram, parecia ser resultante de uma depressão por parte do gajo.
Quem me contou achou esquisito mas a mim, sempre considerando que pode ser uma das muitas mentiras que se contam para esconder a verdade do que se passa (e que, normalmente, é outra gaja ou outro gajo), nem tanto.
Tenho convívio directo com gente que sofre de depressão crónica e isso é, completa e absolutamente, uma merda e é uma merda ainda maior quando recusam tratamento e o problema em sim, o que nem é pouco comum.

Como sei, mais ou menos, aquilo de que se fala, só disse QUE CORRA!

Eu sei que isto é uma opinião muito desagradável de se dar e sei, também, que poderá ser visto como largar uma pessoa de quem se gosta - coisa que me causa arrepios! - em benefício próprio.
A minha visão, ainda assim, é outra:
Muitas das vezes, eu e vocês, temos tendência a achar que os melhores tempos ainda estão por vir e que é apenas uma fase, coisa que muitas das vezes até é mas a percepção que tenho é que não é tantas vezes como queríamos que fosse. O resultado, não poucas vezes, são duas pessoas agarradas a uma âncora onde apenas uma teria de estar e, o pior dos cenários, duas pessoas agarradas a uma âncora em que nenhuma delas teria de estar.

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Não me lembro onde, vi um estudo que revelava que gente deprimida estava mais perto da realidade, algo a que, mais tarde, foi dado o nome de Teoria do Realismo Depressivo.
Surpresa? Não...

Parece-me, desde cedo, que o mais que podemos aspirar são momentos de felicidade mas já não felicidade e isto porque o que nos rodeia - entre Natureza e os Outros - não se compadece com o que transmite uma comédia romântica e nem com as histórias de superação e de sucesso.
Aliás, caso a realidade não fosse, em larga medida, depressiva não haveria necessidade de Além, um lugar onde a justiça existe e onde somos premiados pelo que de bem fizemos. Mesmo sem querer assim colocar as coisas quando pensamos em cultos, a realidade também os afectou: a vida é uma chatice e se queremos felicidade e cenas, o melhor é esperar por depois da morte.

Voltando:
os estudos do tipo que referi demonstraram que pessoal deprimido (não sei se muito ou pouco ainda que ache que não podem ser casos graves) está mais atento ao que acontece e tem uma maior facilidade em prever o que vem a seguir, o que faz sentido...
Em temos vulgares: alguém que acha que o Euromilhões nunca lhe vai sair estará, sem sombra de dúvidas, mais perto de estar certo do que aquele que acha o contrário.

O Mundo deve pertencer aos medianamente deprimidos mas quem se diverte são os patetas alegres.
Se soubesse o que sei hoje, quando me perguntaram o que queres ser quando fores grande teria respondido pateta alegre mas acho que só consegue atingir este objectivo quem não o tem nem o conhece.

E isto é tão mas tão à má fila que:
Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus (O Sermão da Montanha).

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Num plano mais pessoal:

Cada vez sinto como mais difícil perceber o que acontece por acontecer e o que acontece porque provoco.
Esta dúvida surgiu-me relativamente tarde mas, pelo que vejo, só o facto de ter surgido faz com que tenha acontecido muito mais cedo do que muitos outros para quem ela nunca dá as caras.

Isto traz consigo uma coisa muito chata:
sinto necessidade de analisar o que aconteceu e o que fiz para que acontecesse e, infelizmente, ainda não sou alguém que é incólume à culpa quando a sente como própria; ou seja, não é fácil fazerem-me sentir culpado mas é-me muito difícil perdoar-me daquilo em que sinto ser da minha responsabilidade.
E traz, ainda, uma outra coisa ainda mais chata:
quando não tinha consciência de que, ainda que subliminarmente, os meus actos provocaram determinadas reacções a minha vida era muito mais fácil.
Naqueles dias, que se foram, optava muito mais facilmente pelo CORRE porque o que não se entende deve ser destruído porque nada de bom daí advirá.
E traz, ainda, uma outra coisa ainda mais chata que a que precede:
mesmo depois de toda a análise e da decisão se a culpa é própria ou alheia, o resultado, muitas das vezes, é o mesmo: CORRE! só que como só se chega a esta conclusão depois de muito pensar, torna-se demasiado tarde para evitar consequências que poderiam ser evitadas se só os instintos nos preenchessem.

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Vamos tentar acabar com esperança!

Friday, August 19, 2016

Perguntam Vocês:

Quão entediado estás tu, K?
- Assim tanto: aprendi a fazer esta merda !

Visto de Fora da Janela

K, sabes que no X há uma noite em que fazem um concurso de quiz? Temos de ir!!! Vamos limpar aqueles burros!
- Eh, pá. Eu gosto muito disso mas não é boa ideia, acho...se não ganhar vou ficar muito fodido!
Lido assim e conhecendo-me mal, seria de pensar que o meu problema é esse: tenho medo de perder. 
Eu não tenho medo de perder mas não gosto nada. E dizer que não gosto nada é dizer pouco.
A prova que não tenho medo de perder é que competi em tudo a minha vida inteira e a coisa era (é?) tão má que por vezes estava a competir mas as pessoas com quem estava a competir não sabiam.

Então, qual o problema? Vamos dar umas linhas e voltaremos:

Umas horas antes do que descrevi no início:
K, vi um artigo de que ias gostar. Um gajo escreveu sobre o Phelps e disse que era incrível a quantidade de medalhas que ele ganhava mas era um problema: ele era obcecado!
Ele achou que isto seria uma luz para mim, como foi para ele. Não foi. Descobri isto há muito.
Lembro-me de há uns anos ter visto o Villas Boas a fazer uma corrida de carros para celebridades e vê-lo (e só a ele!) ir contra muros e dar cabo do carro porque queria ganhar. 
Isto, sim, deu-me uma luz: o Mourinho era e é encarado como muito diferente do Villas Boas, e são mesmo mas têm uma coisa em comum: são gajos que só pensam em ganhar e, por baixo do verniz do Villas Boas e da sua educação têm o mesmo intuito e a mesma vontade.

Contei há uns tempos, por aqui, que o Pacquiao que fodia putas e apanhava bebedeiras era melhor e mais entusiasmante lutador mas quando se tornou um religioso fervoroso piorou.

...e voltando:

Eu não quero ir a concursos de quiz e evito, activamente, competição porque não gosto da pessoa em que isso me transforma.
Como os gajos que descrevi e muitos outros, não tenho paciência para falhar e quando começo a correr só penso em aniquilar. Não é divertido. Não é fixe. É um tormento que arrasa tudo o que me rodeia.

Infelizmente, como tenho uma profissão e ando na rua e tenho conversas, não consigo sair desta mentalidade competitiva. 
Para se perceber como a coisa é má, só me interessa ganhar mais dinheiro na estrita medida em que isso revela que fiz melhor o meu trabalho que os outros e não porque, depois, posso ir jantar onde quero. Apesar de não o dizer e, em certa medida, me envergonhar, quando ganho penso FODAM-SE BURROS! mesmo para quem não é burro e mesmo para quem não merece.

Para tentar explicar ao ponto que isto chega:
Bem, vamos pedir 6 shots de tequilla! (éramos 3 e eu nem gosto assim tanto de tequilla nem de shots)
- K, só 6?! (dito para ter graça porque, à partida, eram o dobro dos necessários)
Tens razão... Por favor, são 9 (disse ao empregado). Satisfeito? Diz só 9 e vamos para 12!

Então,
quando posso, não me coloco em situações que me vão empurrar para isto. Eu não gosto disto.
É certo que é impressionante para quem vê de fora e dá sainete mas a minha vida é pior porque me rouba a paz que ando à procura e raramente encontro.

Por exemplo:
quando era miúdo e até meio da adolescência, concorri e ganhei concursos por escrever merdas e, depois, descontinuei porque no momento em que concorria perdia o prazer que me dava e dá fazer por fazer.
Deixava de ser uma o que parecia para ser outra coisa.

Aprendi pouco ou muito menos do que devia nestes anos que vão correndo mas isto tento com toda a energia que consigo: evitar situações que quando aparecem deixamos de controlar o seu desenrolar porque entramos em automático.

Wednesday, August 17, 2016


Energias e Cristais e Cenas

Sou um gajo avesso ao exoterismo. Melhor. Sou um gajo avesso a levar o exoterismo a sério.
Já me puseram as cartas, tenho um mapa astral feito, sei as características do meu signo e a compatibilidade com outros.
Leia-se sei como leio o que dizem ser.

Acontece que não levo nada disso a sério, não planeio nem penso a minha vida em torno destas coisas mas, a experiência ensinou-me qualquer coisas como isto:
Tem de haver um motivo para as pessoas se atraírem as mais das vezes por um determinado tipo de pessoa; tem de haver um motivo para um gajo pouco interessante sacar mais gajas que um gajo muito interessante (igual para mulheres); tem de haver um motivo para sentirmos empatia imediata com uma pessoa mas não com outra sem um motivo palpável.
Se se chama energia ou não, é um bocado irrelevante mas é intangível.

Isto já aceitei...mas a conspiração do Universo é um passo demasiado grande, para mim.
Dá-se, contudo, que há mais coisas intangíveis que me fazem muita confusão.

Há uns meses, quando estava numa situação chata, encontrei, em lado nenhum, uma das minhas Exs. Podia ser normal, vivemos nas mesma cidade, mas não é: o lugar era completamente inesperado e, verdade seja dita, passo, literalmente, anos sem a ver nem falar com ela.
Ontem, estava sossegado - ok, não ando lá muito sossegado - e tocou-me a app com um tudo bem? Voltei hoje de férias e decidi dizer olá.
A situação chata em que estava quando ela me apanhou há uns meses é a mesma de agora (não é exactamente igual mas é tão mas tão semelhante...) e, se não me engano, o período que decorreu entre ter conhecimento da situação chata e o em quem ela apareceu é mais ou menos o mesmo.

Não acredito em bruxas mas...

Depois, deu-se uma coisa comum mas que se tornou engraçada porque tive uma perspectiva que, à data, não me tinha ocorrido.

Como de costume, apareceu o seguinte:
Já tive várias relações e de vários tipos, antes e depois de ti mas nunca tão apaixonada. Nunca gostei de ninguém assim!
(só porque sou honesto: mas o teu dark side...nunca mais me diverti tanto mas também nunca mais apanhei um feitio como o teu)

Não vou descrever mais da conversa porque foi aqui que tive uma perspectiva diferente daquela que tenho tido.
Como é claro e abertamente transcrito da minha cabeça para aqui, é só isto que me interessa e é só disto que tenho medo.
Só quero isto porque muito pra mim é tão pouco;
Só disto tenho medo porque pensar que eu posso ser o marido dela é pior que ser amputado (pode ser exagerado mas, enquanto escrevo, não estou a hiperbolizar).

Mas a perspectiva:
É certo que me faz sentir o maior ser o maior.
É certo, também, que, na minha opinião, ela tomou a decisão certa ao querer menos mas um menos que consegue gerir em vez do muito que custa muito.
É certo que acho que ela era mais feliz comigo mas, em média, deve ser mais feliz agora (não acho, foi-me confirmado expressamente).

Sucede que, pela primeira vez, pensei no miúdo gordo de quem as gajas gostam muito mas como amigo.
Neste contexto, eu sou o gajo que rebenta todas as barreiras mas não o gajo com quem se quer ficar.
A minha experiência a respeito é esta:
eu já fui o miúdo gordo em questão;
eu fui/sou o gajo que rebenta barreiras mas que, depois, salta fora/é empurrado para fora.

É triste, não é?
Eu acho que é.
Uma pessoa inteligente tentaria mudar isto, não é?
Eu acho que tentaria.

....e estive a pensar nisso...
Cheguei à conclusão que a hipótese disto acontecer é quase nula.
A minha natureza é outra e se é verdade que se pode tentar melhorar aspectos, mudar por completo nunca vi ter sucesso.

second place is the first loser e eu até admito que possa perder - já aconteceu muitas vezes - mas não consigo jogar para o prémio de consolação.
Racionalmente, 
entendo que ser segundo é melhor que ser último mas, para mim, ambos perdem e só isso interessa.

Sunday, August 14, 2016

Mais 3 Que Vocês!

Costuma haver uma hierarquia de amizades. 
Diz-se existir os melhores amigos, os amigos, os amigos de copos e, suponho, mais que agora não me ocorrem.
Só tenho amigos e só tenho 3 - esta conta não é exacta porque tenho mais 1 ou 2 com quem posso sempre contar mas que, porque a vida a isso obriga, tenho menos contacto - e daí o título: para os que pensam respondo que, provavelmente, tenho mais 3 do que vocês.

Há uns dias, quando fui sair encontrei 3 gajos. Desses 3 gajos, 1 deles nunca foi meu amigo mas os outros 2 foram e, entretanto, deixaram de ser.
1 deles deixou de ser porque a vida levou a isso, não me parece que tenha sido responsabilidade de nenhum de nós. A vida andou e levou-nos.
O outro deixou de ser porque não foi o que era preciso quando era preciso. Reconheço que não deve ser culpa exclusivamente alheia mas perderei duas linhas com este segundo caso.

Houve uma fase em que a coisa não estava impecável e, por ser quem sou, não pedi ajuda porque...não peço ajuda. Quer dizer, não peço ajuda nos termos tradicionais.
Ora, nesta fase, mais uma vez, por ser quem sou, desapareci muito fortemente do mapa, mapa onde se incluía o telefone e as saídas à noite e os jantares e por aí fora.
Pela 50ª vez, por ser quem sou isto deveria ter sido suficiente para se entender que alguma coisa se passaria mas, verdade seja dita, era preciso mais ou menos adivinhar.
Pensarão, então:
Ah, estás à espera que adivinhem e, porque não adivinharam, mandaste todos para o caralho!
E estarão errados na segunda parte da afirmação.
Embora aprecie que adivinhem, não espero que o consigam fazer mas o que me fez tirar a ficha da corrente foi uma outra coisa, uma outra coisa que me serve, ainda, nos dias de hoje e que cortou toda a gordura que tinha na minha vida:

Foi por esta altura que descobri que as pessoas não se querem cansar, coisa que é chata porque eu canso-me sem hesitar.
O que o pessoal quer - a maioria - é ter umas quantas pessoas com quem possam beber umas cervejas e que os acompanhem a sacar umas gajas à noite e a quem mandar os parabéns...e eu não preciso de companhia para nenhuma destas coisas e não ligo a darem-me os parabéns.

A cristalização disto foi quando o meu melhor amigo à data (sim, nesta fase também hierarquizava) me disse foda-se, não ligas nenhuma. Nunca telefonas. És uma merda! e não sabem o que isto me deixou de olhos esbugalhados.
Coitado, sentiu-se pouco valorizado quando quem andava metido na merda não era ele...
Não o culpo demasiado, só verbalizou o que os outros pensavam.

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Há momentos marcantes na vida das pessoas:
- lembro-me do preciso momento em que percebi que ia dar para ter sucesso a sacar gajas;
- lembro-me do preciso momento em que comecei a cortar gente da minha vida;
- lembro-me do preciso momento em que deixei de ter ilusões quanto à bondade e honestidade da humanidade;
- lembro-me do preciso momento em que deixei de admitir que me agredissem;
- lembro-me do preciso momento em que descobri que não tinha percebido o que deveria ter percebido anos antes e o que isso me doeu e me fez estar muito mais atento.

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O meu apreço pelo músculo que sobrou é muito e, de vez em quando, deixa-me orgulhoso de ser capaz de manter gente assim à minha volta.
Na fase que descrevi - brevemente, porque ainda me dói - estes três (haverá mais 1, para ser honesto) recusaram-se a desaparecer e, porque sabem que não gosto, também não invadiram. Só ficaram lá.

Esta gente percebe que as coisas não estão quando deviam sem ter de dizer e, mesmo percebendo, não perguntam coisas. Dizem olha, passa cá, tenho comida a mais para o almoço e isso chega.

Quando estamos juntos com mais pessoas, é comum estes estranhos ao círculo não perceberem, exactamente, o que se passa. Conhecem-nos e talvez também por isso não percebem muito bem a coisa.
Normalmente - 2 dos 3 são mulheres - tendem a pensar que alguma coisa se passa entre mim e uma delas porque o cérebro e a experiência diz-lhes que é a única explicação...mas não é.

Há, no entanto, algo que pode ser desagradável:
quando se tem um círculo tão pequeno, é mais difícil conseguir-se fazer o que muitos de vocês devem fazer com frequência com os vossos amigos: beber um copo, ir ao cinema, jantar...enfim. É mais difícil porque as pessoas têm coisas a fazer e as agendas são mais difíceis de conciliar quando são tão poucas.

MAS!

O que interessam os finos e os jantares?
Interessa quando acordas não estares sozinho e isso sim, é uma conquista.

Saturday, August 13, 2016

Porque São Os Animais Melhores Que Nós

1º É exagerado, não são sempre melhores que nós;
2º Este post a seguir ao que precede é, no mínimo, irónico.

Há uns dias, vi no programa do Cesar Millan um cão boieiro a arrebanhar gado.
Ora, é isso que ele deve fazer, certo? 
Sim mas aquele, como a maioria dos que são criados em cidades, nunca sequer tinha visto gado mas, deparando-se com ele pela primeira vez, fez aquilo para que nasceu e não precisou de adaptação nem lições.

Num dos episódios do House, a 13 arrepiou-se na presença de uma determinada paciente.
Quando o House deu por isso, disse-lhe que era uma reacção inata na presença de uma sociopata, ou seja, de um predador (parafraseei, aposto) mas isso não impediu a 13 de continuar a colocar-se em perigo e a quase foder-se, pelo caminho.

O relevo disto e a ligação com o título?
Bem, nós, racionais, procuramos justificar comportamentos estúpidos por motivos que a nossa razão impõe e, muitas das vezes por isso, ignoramos o que não se sabe bem o quê nos diz.
Em alguns de nós (EU!) a situação só é pior porque sei que as coisas funcionam desta maneira e tenho os olhos rasgados até à nuca, pelo que, quando me deixo enganar, serve como a melhor das luvas o pior cego é aquele que não quer ver.
Eu sei, eu sei. Depois de acontecer é evidente para todos e consegue-se descortinar de onde a merda vinha mas é pior quando se consegue cheirá-la à distância.

De uma forma menos etérea:

As pessoas não são lineares, o que não é a mesma coisa que dizer que são todas diferentes e especiais. O que isto quer dizer é que as cabeças têm caminhos diferentes e obstáculos próprios que dificilmente são replicados mas, no fundo no fundo, apesar disto somos todos o mesmo, excepção feita a meia dúzia de nós.

Assim,
porque os comportamentos divergem também não é de estranhar que o que eles significam sigam o mesmo destino; uma atitude minha quererá, eventualmente, significar o mesmo que uma atitude diferente de uma outra pessoa mas, no fundo, o significado não diverge.

(isto deu-me um bocado um nó, por isso, simplificando: 1 + 3 e 2 + 2 dão o mesmo resultado mas as grafias e algarismos são diferentes. Dois caminhos para o mesmo lugar e o comprovar que não é apenas 2 + 2 que dá 4, pelo que diferentes coisas podem dar o mesmo resultado)

De qualquer maneira, regressando ao porquê de os Animais Serem Melhores do Que Nós, um cão desvia-se do carro que vem aí porque...o carro vem aí e isso chega-lhe. Não lhe interessa o porquê do carro vir aí; vem e o melhor é bazar.
Nós, Humanos, não somos iguais.
Nós poderemos pensar que os travões vão funcionar ou que o automobilista nos está a ver ou que quando o semáforo virar ainda haverá tempo para não sermos varridos.

Neste cenários, o Cão nunca será atropelado mas Nós...vai depender.

Isto parece simples e tende a fazer-nos parecer estúpidos mas não estou certo que seja isto que acontece. O regresso aos instintos é difícil porque aprendemos que nem sempre estão certos - e não estão - a aprendemos que a racionalidade vem primeiro - e deve vir - mas...nunca os devemos ignorar e muito menos ignorá-los porque nos apetece.
Há um motivo para se ser mau juiz em causa própria e para em casa de ferreiro haver espeto de pau. Nós não estamos preparados para analisar o que se encontra demasiado próximo.

(Mais uma vez: sei tudo isto, o que só pior)

De uma forma mais ou menos involuntária questionei o comprometimento de uma pessoa com o objectivo.
Mais ou menos involuntária porque ou por preferir que não fosse verdade ou por não ter raciocinado sobre esse problema, a expressão saiu. Por norma, estou preparado para o que vou dizer porque quero estar preparado para o que vou ouvir mas não foi o que sucedeu. Foi como que uma golfada de ar expelido.

De uma forma comum, foi-me dito que estava enganado e, talvez racionalmente, achei que poderia estar. Eu faço 2 + 2 mas outras pessoas podem fazer 1 + 3.
Só que...

Bem, pensei em travões e em semáforos e em condutores mas esqueci-me de me desviar do carro.
Cool, não é?

Os animais são melhores que nós e, tristemente, eu também sou nós.

...e com alguma graça,

K, hoje jantas, não jantas?
- Sim, acho que sim.

Isto parece banal mas não é e, regressando aos olhos abertos, não é porque a pergunta que poderia (e ainda assim, não deveria) surgir seria Jantas, hoje?
Sim, deixou de ser habitual ou, sequer, regular eu jantar mas a pergunta surgiu de qualquer forma.

E por que motivo tem graça?
Porque nada indiciou que eu iria jantar e muito menos que seria provável eu jantar mas o facto é que iria, em princípio, acontecer de qualquer forma.
Porque não gosto que se metam em assuntos meus e, especialmente, que achem que algo não está como deveria estar, a minha atitude, voz e tudo o mais foi igual ao de sempre.

Só que, sem conseguir dizer porquê, algo não estava a jogar como deveria e há-de ter sido percebido...e confiem, eu sou óptimo a disfarçar.

Não foi o humano que fez a pergunta, foi o animal e animal assim deve ser admirado.

Friday, August 12, 2016

É Sempre Mais ou Menos por Aqui


Havia outra, de que gostei, que dizia que mesmo os dias longos têm fim mas pareceu-me demasiado como uma cena de auto-ajuda, coisa que me deixa sempre em tensão.

E hoje, tensão é tudo o que dispenso mas estou cheio de vontade que o dia acabe.
Na realidade, estou quase sempre com vontade de que o que quer que seja acabe porque - optimismo be gone! - acaba sempre.

...mas quero que se diga que é para sempre mesmo sabendo que o para sempre não existe.
Roubei isto de algum lado mas não sei de onde.

As outras pessoas têm fé.
Eu tenho isto.

Thursday, August 11, 2016

Ando Há Anos a Tentar Gostar Disto... É Triste Mas é Um dos Meus Objectivos...


Por Nada...

É sabido que não gosto de datas festivas por pré-definidas;
É sabido que não acredito em vinho para ocasiões especiais;
É sabido que não gosto de que se faça porque se espera.

Isto foi o K que me deu. E isto, também. E isto, também.
- Estava para te perguntar onde tinhas arranjado uma dessas coisas, gosto muito.
Pois, não arranjei...
- E deu-te porquê? Que ocasiões foram?!
Nenhum deles em nenhuma ocasião em especial...

Não é que me faça confusão a pergunta mas revela o que me chateia e onde não quero estar.
Pensar que terei de fazer isto ou aquilo naquele dia porque sei lá o quê aconteceu é muito chato. E não é só chato por ser banal, é muito chato porque - por norma - isso desresponsabiliza as pessoas dos outros dias porque nesses outros dias nada aconteceu.

E o espantoso é que quando gente vos conta histórias de cenas espectaculares elas tendem a revelar que aconteceu qualquer cena que não se estava a contar...mas depois esquecem-se que o espectacular foi isso e não tanto outra cosia.
É como jantar fora no Dia dos Namorados e ver a maioria dos casais calado à mesa porque...bem, porque tiveram de ir jantar fora na senda de é o que se faz hoje.
É como achar que gastar mais dinheiro = prenda melhor ou gastar mais dinheiro = mais felicidade. Os presentes mais caros que dei serviram para compensar o facto de não ter tido tempo/vontade de pensar muito.

Obviamente, isto tem implícito o seu contrário: quanto nenhum dia é especial, todos os dias são especiais.
Agora, quando se quer estar apenas onde se quer estar e não onde se tem de estar ou se pensa ter de estar, isto não parece um preço muito alto a pagar.

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K, vamos para a cama...
- Não estou com sono...vai tu que eu depois apareço.
Não, eu fico aqui. Se adormecer, acorda-me. Não gosto de ir para a cama sem ti.

Não sei se doeu a quem disse mas a mim doeu.

Wednesday, August 10, 2016

Horta

Estava a dar uma volta pelos periódicos e vi uma notícia dando conta que o Lloyds considerava que o Horta Osório não tinha usado os custos de representação em despesas pessoais.
Pelo meio, en passant, dizia que tinha sido em Singapura e que teria feito a viagem com uma antiga colaboradora do Blair.

Noutra jornal, sobre o mesmo assunto, foram mais claros: Horta Osório terá partilhado o quarto com a dita colaboradora e jantado fora com ela em diversas ocasiões; não insinuaram um caso, disseram que era mesmo um caso.

O que me interessa isto?
Em termos de haver ou não haver uma traição, nada.
Para mim, o banqueiro que - tanto quanto se sabe - é genial não é minimamente afectado e, ainda de forma mais clara, fosse ele meu funcionário e estar-me-ia a cagar quanto a quem fode ou deixa de foder. 
Problema dele e da família e, talvez, da consciência que tenha ou não.

Por que motivo isto me interessou?
O Horta está envolto numa imagem mais que imaculada: é uma tal beatitude (Opus, talvez) que faria tremer muita gente no sacerdócio.
O Horta aplicou um restrito código de conduta no Loyds que, parece-me, não se resume ao estritamente profissional.

Novamente: não tenho nada que ver e nem me interessa o que as pessoas de carne e osso fazem.
Não tenho nada que ver mas irrita-me muito pessoas que dão lições de moral e, reforço, mesmo aqueles que permitem que os usem como exemplo de moral.

Everybody Lies.

E

Acabo de receber uma notícia sobre um determinado acontecimento.
O acontecimento, em si, só me afecta muito indirectamente mas estive envolvido no desenrolar de toda a situação.

Foram delineados vários quadros sobre o que significará isto e o que significará aquilo. No fim - se o transmitido se confirmar no período em que se prevê - vou ter razão.
Ter razão, para mim, é suficiente. Certo? Foi por isso que fiquei contente. Certo?

Neste caso, nem tanto.
É certo que ter razão me deu prazer, dá sempre, mas aqui há uma outra variante que tem um peso muito significativo.

A pessoa que estava e está directamente envolvida não vive no mesmo Mundo que eu em que tudo tem de ter uma explicação e tudo quer dizer alguma coisa.
É certo que também é control freak mas não como eu. Esta pessoa tenta controlar o que está a acontecer enquanto está a acontecer (relativamente comum) enquanto eu tento controlar o que ainda está para acontecer, o que significa que vivo em constantes cenários para prever e ajustar as variáveis que irão construir o que acontecerá.

Bem,
essa pessoa aprendeu a fazer o mesmo que eu - ainda que de forma muito mais amadora porque tem muito menos experiência - e andou a fazê-lo durante todo este percurso que trouxe à notícia de hoje.

A opinião quanto ao desfecho era diferente e, como disse, quem teve razão fui eu mas se não é irrelevante acertar-se é muito mas muito mais importante aprender-se a ver mais além; é muito mais importante tentar ler o que não é óbvia.
Neste caso, era possível que quem estivesse errado era eu, o que acontece amiúde, mas o relevo tem de ser dado ao caminho neste caso específico: 

O caminho assim feito vai levar a que se acerte mais do que o que se falhe.
A mudança de atitude muda a estrutura.
A manutenção da atitude, mesmo que se acerte, muda coisa nenhuma.

...e um clássico (ainda antes do Magic Mike)


Tuesday, August 09, 2016


Não aconteceu nada.
Não aconteceu nada.

Digo muitas vezes isto a mim mesmo e, de vez em quando, têm mesmo de me dizer em voz alta.

Não gosto muito de gente que faz coisas às bolinhas mas há excepções. Que me lembre, há duas excepções.
A primeira é, para mim, universal: há coisas bem feitas e coisas mal feitas, pelo que mesmo pessoas que fazem coisas às bolinhas podem fazê-lo bem. É certo que não figurarão nas minhas preferências mas gosto de achar que reconheço quem faz bem feito independentemente dos meus gostos pessoais.
A segunda será, talvez, bastante generalizada mas não o saberia dizer com clareza e certeza: ouve-se o que se sente ter sido escrito para nós.

Ora,
sei muito bem que a segunda coisa é a fórmula de sucesso para muita da música que se faz, a capacidade de criar aquilo com que se pode criar empatia mas, verdade verdadinha, nunca achei que a generalidade de nós prestasse atenção às letras, pelo que não sei se esta será uma verdade tão verdadeira como aparentemente será.

Bem,
si salgo correndo, tu me agarras por el cuelo
y si no te escucho, grita!
te tiendo la mano tu agarras todo el brazo,
y si quieres más pues, grita!


Monday, August 08, 2016

Estive a ver isto


O Chomsky é o mais próximo que tenho de ídolo intelectual.
Sinto-me sempre estúpido quando o ouço falar.

O Varoufakis é...bem, uma mistura muito bem sucedida daquilo que mais me irrita na intelectualidade.

Chateia-me que o Chomsky partilhe palco com ele mas, vendo e ouvindo, percebe-se uma mais do que enorme diferença entre ambos e a capacidade do Chomsky não precisar de palco faz-me pensar numa coisa que me trouxe aqui há uns dias: sou mesquinho.

Legendas

Tive um jantar que serviu, também, para que amigas conhecem...bem, conhecessem uma pessoa. Juntou-se o útil ao agradável e pronto.
Uma das amigas presentes não é tão minha amiga como as outras, pelo que ligo-lhe menos e penso menos (bem como tenho menos atenção) naquilo que diz.

A dado momento, disse isto:
Ele é assim no dia-a-dia?! É sempre assim?
- Oh L, conheces-me há uns 20 anos. Achas que sou diferente daquilo que conheceste sempre?!
...e andou.
Nem perdi mais tempo a pensar nisso.

Noutra altura, quando toda a gente saiu da mesa por momentos, disse-me:
K, estás in love?
- É óbvio!
Continuei a não ligar grande coisa mas, no dia seguinte, isto continuava a martelar-me, sem que grande motivo para isso houvesse por falta de importância do emissário.

Ora,
como não sou bom a deixar para lá:

Na primeira, e vaga, apreciação que fiz do que foi dito a única palavra que me lembrei foi estúpido.
Uma pessoa que me conhece há 20 anos e tem dúvidas de como eu sou no dia-a-dia é estúpido;
Uma pessoa que me conhece há 20 anos e que só viu/soube que como gajas e que ando permanentemente sozinho pensar que poderia não gostar de quem me acompanha é estúpido.

O que se terá passado, contudo, foi uma outra coisa. Uma coisa comum mas que, por vezes, me esqueço.
A L tem 40 anos (parece-me...), está mais gorda do que o que já foi e não tem filhos nem uma relação.
Parecido com a L, eu só em casos muito esporádicos tive uma relação e o meu feitio não é dos melhores nem sou das pessoas mais calmas do Mundo.

O que terá acontecido?
Bem... 
Ela pensa que para que, nesta altura, tenha deixado de andar sozinho terei precisado de mudar alguma coisa;
Ela pensa que é possível que eu tenha pensado bem, estou em idade de assentar e, por isso, atraquei-me ao que apareceu de mais razoável.
Nada disto aconteceu.
Nada disto poderia ter acontecido.

Porque ela se sente sozinha e está disposta a pagar por companhia, pensou que eu também estaria.
Para chegar a uma conclusão deste tipo, só teve de ignorar tudo o que sabe e soube sobre mim; para chegar a uma conclusão deste tipo, só teve de imaginar que quem conhece e conheceu deixou de existir.

...e horas depois,

A inveja é fodida, puta! disse eu a um gajo da caixa de um bar onde fui, quando estava a pagar.
Sim, o gajo irritou-me;
Sim, o gajo mereceu o que lhe disse;
Sim, o gajo acobardou-se;
Sim, entre ele e os seguranças do estabelecimento, a merda podia ter-me corrido muito mal...