Monday, September 25, 2006

Conquistar


Não acredito na conquista de outro ser humano, no meu caso de uma mulher e no caso de quem me queira de um homem.

A conquista é a arte do encobrimento.

Sempre que se quer alguém ou alguma coisa recorre-se ao engrandecimento daquilo que consideramos serem qualidades e ao escamotemanto daquilo a que chamamos defeitos.
Ora, se se mostra aquilo que se não é mas antes aquilo que, convenientemente, se quer parecer inicia-se uma mentira, um equivoco.

A conquista, a corte ou outra coisa qualquer que se lhe queira chamar tem um tempo de vida designado e tem, reconheço, a sua utilidade.
Também eu uso (ou tento) esse emaranhado de ruas esquivas e estranhas para conseguir aquilo que quero.

Aquilo...não aquela.

Eu gosto daquele pedaço de carne que atravessa a rua, eu gosto daquele par de pernas que percorre a calçada, eu gosto daquele peito que incha com o inspirar...eu gosto da carcaça.
Não acho mal querer aquele corpo por empréstimo durante um tempo, não vejo nada de grotesco em desejar despi-la e ter nisso o início e o fim da coisa.

No caso que descrevi a conquista faz sentido, a parcialização da verdade é suficientemente duradoura pro hiato necessário e os podres aguentar-se-ão tranquilamente na penumbra.

Mas...e quando queres mais?
E quando te interessa mais o recheio que a carcaça?
E quando quiseres passar mais tempo com ela do que o plástico permite?

Pra quê conquistar???

Todas as poucas pessoas que passaram pela minha vida viram os meus defeitos bem antes das virtudes.
Não quero que quem priva comigo mais que meia dúzia de vezes e três quecas esporádicas ignore o tanto de errado que há em mim.
Quero que saibam onde colocam os pés, quero que saibam pra que lado corre o rio...pra quê começar pela maravilhada ilusão se ela durará menos do que uma maré cheia?

Sou fã do descartável, não vejo mal algum nisso, a satisfação é um fim em si e nada tenho a opor que seja rápido e visceral e não volte segunda vez.

Para que se possa fazer uma travessia longa, no entanto, é mais útil saber navegar na tempestade do que na calmaria.

É uma ideia romântica (que juro practicar, desta vez não são meramente palavras) de quem nem é tão romântico quanto isso...
Quando se envolvem pessoas elas merecem saber a verdade.

Os defeitos são a prova de que me queres.
Das virtudes gosta-se, os Defeitos amam-se.

1 Comments:

Blogger Lena said...

Utilidade pública. Simples e objetivo. Conquistar o que seus olhos vêem, seus hormônios desejam porque precisam sobreviver.
Beijos
Lena

11:16 AM  

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