Friday, February 24, 2017

Era Bom!

Em jeito de despedida de semana, ia pôr o Era Bom da Orquestra Imperial ou, possivelmente, o Baile da Gomalina, dos mesmos.
Não vai acontecer.
Ah, aposto que vem uma coisa triste, poderão dizer em coro e, obviamente, estão mais ou menos certos.

Certos porque a batida e a letra não são alegres;
Errados porque fazer samba não é contar piada, bitches!

A razão da mudança de atitude é, contudo, outra.
Acordei, sem sono, às 5 da manhã e, por isso, estou em queda livre de cansaço e, com isso, sem muita vontade de andar a soltar o pé.

Fica beleza, ainda que não mereçam!

Fim De Tarde de Quarta-Feira

Antes de ir ver o Porto ser enrabado pela Juventos (e de ter vontade de espancar o Alex Telles), fui matar uma cerveja para a varanda de uma das minhas duas amigas.

Conversa daqui e conversa daqui e surgiu como estão as coisas com a C? ao que respondi tá tudo bem... e rimos os dois.
Não porque fosse suposto as coisas estarem mal ou, sequer, por ser expectável que assim fosse mas porque para mim nunca nada está bem. Sou como um atleta de alta competição, nestas merdas: um gajo nunca está a 100% ou porque dói um dedo do pé ou porque se tem uma ruptura de ligamentos.

Depois,
novamente sem saber exactamente como se foi aqui parar, disse-lhe foda-se, nunca passei tanto tempo em shoppings e supermercados... ao que ela me perguntou porque não se alternava e ia um de cada vez, o que me pouparia.

Bem...a ideia, como muitas outras, faz sentido mas não se adapta à prática; melhor, não se adapta à prática daquilo que eu entendo dever ser e que a realidade tem a felicidade de me apoiar.
É certo que não se tem de fazer tudo junto, sendo que, provavelmente, é melhor não se fazer tudo junto mas, o problema quase perene, é que a falta de vontade de se estar junto leva a que surja a vontade de estar separado e havendo esta vontade já não fará sentido estar junto.

Isto parece recambolesco mas não é.
é a vontade de estar junto, mesmo em condições não ideais como são, para mim, idas às comprar, que alimenta algo mais do que uma amizade.
A pessoa com quem estava a falar é muito minha amiga. Talvez seja difícil ser mais mas não vou, seguramente, papar o chaço de andar no Continente com ela a menos que haja algo de muito e muito específico que seja necessário.
Somos amigos. Faço o que puder para ela dentro dos parâmetros estabelecidos. Quando ela precisar: TUDO. Quando ela quiser: depende do que quiser.

...e o mais engraçado é que ela sabe disto mas como recalca e alguma cena new age lhe diz que cada um é cada qual, faz com que tenha vontade de parecer evoluída e uma mulher do século XXI sem que consiga entender que é muito mais definitivo o que se é do que o que se quer ser ou, sequer, o que se pensa que se é.

Posso parecer parvo.
Posso ser parvo.
Mas eu aceito a minha parvoíce.

E
é comum fazer referências a que falar e ouvir são sobrevalorizados porque, tendencialmente, ouvimos o que queremos ouvir e dizemos o que queremos dizer.
Ambos são casos de pouca fiabilidade.

Ainda não tenho o mesmo sentimento quanto a música porque ainda ligo a letras mas estou a melhorar muito.
Alguém precisa de letra para perceber o que transmite o Adios Nonino?

Thursday, February 23, 2017

Morreu Pau Donés

Pau Donés era o vocalista dos Jarabe de Palo.
Tombou aos 50 com cancro.

A minha história com Jarabe de Palo é divertida.

Descobri a banda via La Flaca em longínquo ano que não me apetece especificar e gostei tanto que decidi comprar o CD (sim, bebés, CD).
Anos depois, estava numa esplanada no México e dei por mim a ouvir La Flaca e pendei Cool! Eu sabia que o gajo não podia ser Espanhol! Dá-se que era mesmo espanhol mas a maneira cantada do seu castelhano empurrou-me para o outro lado; isso e o meu habitual e natural desamor pelos vizinhos, sejam eles de casa ou de País.

Coisas que gosto em Jarabe:
Gosto da musicalidade. É simples mas harmoniosa. 
Gosto da voz dele.
Gosto do Grita porque manda a gaja segurá-lo pelo braço quando ele está a ir embora e, se não resultar, Grita!.
Gosto do La Flaca ser a história de uma puta de Cuba.
Gosto muito da letra da Água e do videoclip.

Aliás, quanto ao Água, faz parte da banda sonora de uma relação passada e - felizmente! - não tenho relações de má memória e, talvez ainda mais infelizmente por um motivo muito diverso, também não tenho memória de relações passadas. Não fico a olhar para o vazio. Não sinto falta. Não me arrependo. Aconteceu, como aconteceu, agora, a morte do Pau,

Bem,
terminar-se-á com a minha música favorita do Pau:

Wednesday, February 22, 2017

Quando Ainda Não Sabia, Exactamente, O Que Era Cantar,

o meu cantor favorito:


Não deixei de apreciar o Cornell (da mesma maneira que não deixei de apreciar Grunge) mas, agora, o meu apreço é mais emocional. Uma coisa de que gostava muito na juventude e, por isso, continuo a gostar.
Não quero com isto dizer que o Cornell é mau vocalista, nada disso. O que acontece é que ele faz aquilo que adoro criticar nos cantores: grita um bocado (esta música nem é dos piores casos) e usa o instrumento como se estivesse no circo.

Emoção tolhe-nos.
Emoção nem sempre é mau.

Tuesday, February 21, 2017

Um Elogio

De vez em quando, dou por mim a pensar que as coisas que me interessam são chatas.
Podia estar a dizer que são chatas para os outros porque são, ainda, neófitos mas não. Parecem-me chatas a mim também.

É muita política;
É muita natureza humana;
É muita interpretação;
É muito mundo cão.
...e isto é chato.

Só que eu não sou chato.
E não sou chato porquê?
Porque tudo o que descrevi me interessa mas, depois, isto também me interessa muuuuuuito!


Monday, February 20, 2017

JUSTIÇA!

Não ligo puto ao termo nem ao próprio efeito ou filosofia que encerra.
Sendo o Mundo caótico, não há lugar a justiça ou à falta dela. Não encaro como injusto o tipo que apanha cancro no pulmão e nunca fumou; não entendo como injusto o cirroso que nunca entornou uma pinga de álcool; não penso em injusto quando o sempre fiél é encornado.

Lamento, é certo.
Não desejo cancros nem cirroses nem pares de cornos mas daí a pensar que é injusto...
Bem, como comecei: não há ordem e não há justiça. As pessoas não têm o que merecem e não há a segurança de acharmos que somando X e Y teremos Z.

É chato?
Não. É real.

Infelizmente, apesar de pensar exactamente como transmiti, há uma coisa que me chateia que é, curiosamente, o sentimento de se ser injustiçado.
Ah, fiz isto e recebi aquilo! numa penada pouco aconselhável e muito florzinha.
Infelizmente, também, de vez em quando isto passa-me pela cabeça e, quando isso acontece, ter vontade de dar duas cabeçadas na parede é pouco...

Podem pensar Ah, K, também te irrita seres injustiçado mas não admites! e estarão enganados.
O que me irrita, mesmo, é saber que não devo esperar nada de lado nenhum e, ainda assim, de vez em quando isso acontecer.

Não me irrita poder sentir-me injustiçado.
Irrita-me muito sentir-me estúpido.

Cool Shit


Friday, February 17, 2017

O Pó na Somália

Numa qualquer entrevista ou reportagem sobre as doenças de primeiro Mundo, li ou ouvi reparem: ninguém é alérgico ao pó na Somália!
Na altura, achei graça e pensei que fazia sentido. Lembrei-me que as consolas de jogos e outro tipo de entretenimento que são hoje oferecidos às crianças e que as mantêm reféns das paredes os tornam menos resistentes a merdices para as quais há uns anos atrás estariam mais preparados para enfrentar.

Quando, por estes dias, o tema Depressão encontrou caminho até ao meu círculo, lembrei-me do Pó da Somália.

Há uns anos, fui de férias para uma aldeia mexicana e foi, talvez, a primeira vez que estive exposto a pobreza. Não era uma pobreza do tipo absolutamente miserável, como de vez em quando nos mostra a TV mas era pobreza; era gente que fazia muita e muita coisa para ganhar quase e quase nada.
Dei conta, contudo, que aquela gente me parecia mais contente do que aquelas que conhecia em casa. Sim, deve andar por aqui gente mais feliz que lá mas em termos médios estou certo não ser o caso.

Na altura, novo e parvo, achei que era por causa do clima.
Não é que considere ter estado enganado mas é demasiado simplista.
Agora, anos depois, acho que tem muito que ver com as expectativas que são criadas, de uma maneira ou de outra.
A Depressão primeiro mundista talvez seja a manifestação da ausência de alérgicos ao pó na Somália.

Por cá,
tenho a impressão que as pessoas acham que lhes é devida alguma coisa por existirem. Tenho a sensação que pensam que têm direito ao que quer que seja só por respirarem.
Por cá,
tenho a impressão que as pessoas acham que devem a sua felicidade a um conceito de sucesso que se revela aos outros e não aos próprios. Tenho a sensação que não andam de BMW porque gostam dele mas porque gostam que os outros os vejam a andar nele.

Quando não recebem o que acham que deviam receber, frustram.
Quando não conseguem comprar o BMW, frustram.
Quando ambas as coisas acontecem - compreendendo-se, naturalmente, que tanto uma como outra são metáforas para tudo -, deprimem.

Preparados para que chame mentecaptos a todos (onde vocês se incluirão)?
Pá...eu queria mas não consigo.

Quando todos olham para um lápis e lhe chamam caneta, tu, que sabes ser um lápis, passas a estar enganado.
É certo que não estarás, intrinsecamente, errado porque...é um lápis mas quando todos os que te rodeiam lhe chamam outra coisa é estúpido continuares a usar um termo que ninguém entenderá o que quer dizer e para que te referes.

Bem,
eu não gosto do caminho que isto está a seguir mas não sou um revolucionário.
Encolho os ombros, penso sa foda e sigo o meu caminho mas essa merda desse caminho é uma coisa esquisita.
De vez em quando, na altura em que a bicharia me apanha, dou por mim a ver-me assim:

...e vamos terminar a bombar (imaginando que é uma reposição mas não indo confirmar):

Thursday, February 16, 2017

(Vou Tentar Voltar mas, Por Agora...)