Thursday, March 23, 2017

Thoreau e Fixações

Apresentei o Thoreau a um amigo porque achei que ele ia gostar.
É sempre engraçado ver alguém ficar embasbacado com alguma coisa que já existia e que se coaduna com aquilo que pensa ou que gosta mas que não conhecia.

Hoje, mandou-me uma citação da apreciação do Thoreau ao trabalho e à sua maleficência. 
Não estou certo, agora, que ele entendesse o trabalho como mau mas, como eu, fazia-lhe confusão o quem és com o que fazes profissionalmente
Provavelmente porque trabalho é o que faço e não quem sou, tenho oportunidade de apresentar coisas a pessoas.

K, agora estás obcecado com casas modulares? Outro dia eram carros antigos. Outro dia eram viagens de avião. Outro dia eram câmaras fotográficas.

Sim. Estou.
Sim. Sou.

Gosto de coisas cool e não me interessam o que são.
Podem ser livros; podem ser carros; podem ser caçadeira; podem ser escorredores; podem ser óculos de sol; podem ser sapatos.
Não interessa o que é. Interessa se é interessante.

Entre ontem e hoje, foi isto:

Monday, March 20, 2017

FC Porto e o Campeonato

Este FDS, o Benfica empatou, no Sábado.
O empate do Benfica e a vitória do Porto, no Domingo, significaria que o Porto passaria para a frente e quando fosse à Luz, na próxima jornada, estaria em vantagem, coisa que não seria de somenos.

O que aconteceu?
Empataram os dois e, por isso, o Porto irá à Luz com 1 ponto de atraso.
Se o Porto ganhar na Luz passará sempre para a frente e não me incomoda o empate em si nem, sequer, ir à Luz em segundo porque dará para sair em primeiro.

O que me incomoda é isto: há momentos em que não se pode falhar se o que se quer é ter sucesso.
Quando jogava cenas, havia gajos que eram incríveis a treinar mas quando era altura de jogar a coisa era muito diferente.
No caso do MMA, por exemplo, já ouvi muitos profissionais dizerem que não entendiam - mas que se habituaram - a ver animais no ginásio e nos treinos e, depois, a levar na boca como gente grande quando a campainha tocava.

O Mundo está-se a cagar em nós e convém que um gajo se habitue a isso.
Infelizmente, 
podemos ser absolutamente brilhantes durante a maior parte do tempo mas o contexto não é sempre o mesmo. Há momentos em que é mais importante ser brilhante. Há momentos em que não de pode falhar. Há momentos em que um pequeno erro tem dimensões muito maiores do que um erro gigante noutros.

A pressão muda tudo e todos.
É verdade que não somos melhores pessoas só por aguentarmos melhor ou pior a pressão. 
Não somos melhores pessoas...somos só melhores.

Thursday, March 16, 2017

CURTAS

ÁS VEZES SABE-SE A SORTE QUE SE TEM

Ontem tive um jantar com pais recentes.
Poderia dizer que fui espantado com a seca que é contacto com gente que acabou de parir, especialmente quando é a primeira vez mas não fui. Sabia da probabilidade de papar um chacete gigante mas tenho sempre a - estúpida - esperança de ser diferente.

Ah, K, mas tu não és um gajo esperançoso! e não sou mesmo. Às vezes tem de se papar este tipo de merdas e nem eu estou a salvo disso.

Lembrei-me, então, da sorte que tenho em os meus poucos amigos não serem como a maioria das pessoas. Não é um juízo de valor em que os considero melhores; é um juízo objectivo que resulta do correr dos anos e da apreciação do que se passa à volta.

(love and peace are largely overrated in my view, acabo de ouvir o Christopher Hitchens dizer, enquanto escrevo. Concordo)

O meu mais próximo amigo foi pai há relativamente pouco tempo e foi extremamente interessante.
Falámos sobre a interacção dos familiares e conhecidos e da necessidade, dos próprios, em serem os primeiros a ver o bebé; falámos de como é espantoso que a criança não fale e não perceba, que seja crua, e que, ainda assim, consiga comunicar e entender coisas; falámos da mãe que antes dela nascer a entender como sendo parte de uma comunidade e que, depois de a ter, a entendeu como própria.

Não são as crianças nem o nascimento nem a paternidade que são chatas.
São as pessoas que são chatas.

Estive a mais uma informação sobre quantas vezes é preciso trocar uma fralda para espetar uma faca na carótida.
....em vez de afogaram os prisioneiros, em forma de tortura, mandem-nos jantar com pais recentes.

EL CHAPO

El Chapo é um traficante de droga em formato macro que foi preso recentemente (look it up, vale a pena).
Quanto a este gajo, duas cenas engraçadas:

1. foi encontrado pelo Sean Penn e um dos principais motivos para ter sido apanhado foi a estar obcecado com a Kate Del Castillo (look it up);
2. foi notícia, agora, de que ele se sente muito sozinho na solitária. Está a ter alucinações. Não fala com ninguém...enfim. Pobre decapitador...

Este assassino é engraçado por ser, no fundo, igual a todos nós.
Da mesma maneira que o Hitler matou milhões e adorava o seu Pastor Alemão.

O que nos assusta nesta gente e o que nos causa mais repulsa é o facto de, se não soubermos, inferirmos que eles, como nós, são pessoas.

A HUMIDADE

Há uma miúda que trabalha no mesmo prédio que eu que me acha graça de uma forma óbvia e juvenil.
Parece-me novinha e, provavelmente, achará atraente alguma coisa em mim.

Hoje, o namorado (marido ou seja o que for) veio trazê-la e eu estava a fumar.
Ela despediu-se dele como as pessoas se despedem daquelas com quem têm relacionamentos mas menos como quem tem relacionamentos (gostava de acreditar nisto), quando ele abalou foi a olhar para mim até entrar no prédio.

PIOR! Não foi a olhar para mim com ar sensual de quem me queria comer. Foi a olhar para mim com ar envergonhado de quem se tinha portado mal.

Tem muita graça.

Uns minutos antes, estava a almoçar acompanhado e a miúda na mesa ao lado não estava a fazer segredo quanto à vontade de saber a marca do que tinha calçado até ao shampoo que uso.
Não era má.
Era brasileira,

Tem muita graça.

Wednesday, March 15, 2017

Um Bocado de Arte


O Medo e Henry David Thoreau

Este fim-de-semana que passou, tive um jantar em casa de um amigo para o qual não me desloquei de carro. Nem eu nem ela.
A ideia foi de que, eventualmente, haveria demasiada bebida envolvida para, depois, se guiar. Não estou certo que a ideia se tenha confirmado mas, independentemente disso, não havia carros.

Passo seguinte: ir de Metro (o que também não aconteceu mas, para o caso, não interessa).
Saímos por volta das 3 da manhã e tivemos de fazer uma certa distância a pé e, entre a casa dele e o Metro, tem de se passar por um sítio algo sombrio e sem grande fama de ser seguro.

K, vamos passar por aí?
- Óbvio. É o caminho mais perto.
Não gosto de passar aqui.
- Não te deixava passar aqui sozinha.

Sou imune ao medo? Não. Não sou tão parvo.
Ignoro o perigo? Bem...se o considerar demasiado eventual e injustificado, Sim. Sim. Sou um bocado parvo.

Não admito temer sem que seja um perigo actual e obviamente claro. Melhor. Se for um perigo actual e obviamente claro pode ser que pondere caso não esteja sozinho e o risco não seja apenas meu. Se for só meu, encaro também.

Como se liga isto a Thoreau?
The mass of men lead lives of quiet desperation.

Ora,
a ideia de que vivo em silencioso desespero não me cai bem.
A maior parte das vezes em que a tampa me salta resulta da impressão de que estarei a tolerar aquilo que não deveria estar a tolerar.
A percepção, nem sempre certa, de que me estou a sujeitar dá-me cabo do sistema e, como bom animal que sou, quando o sistema está a ser atacado...ataco.
É, para ser honesto, neste momentos que me torno mais destrutivo e, em consequência, é destes momentos que guardo piores memórias (ainda que raramente me arrependa).

A história com que comecei, é um bocado disto.
A ideia de que me estou a sujeitar ao medo não me é querida e o resultado de me sujeitar é manifestamente mais doloroso que uma pancada, um assalto e coisa que tal. Talvez não seja pior do que ser baleado mas como ainda não aconteceu, não sei.

Há muitos anos atrás, levei um soco tal que fiquei uma semana sem ver do lado direito.
Lembro-me disto porque:
1. Passou;
2. Jurei que merda daquele tipo e naquelas circunstâncias não me aconteceria mais...e não aconteceu. Fui estúpido e esperei em vez de tomar as rédeas. Poderei ser espancado outra vez mas não daquela maneira.

Há menos anos atrás, um arrumador estava a chatear-me e respondi-lhe. 
Depois, fingiu (ou tinha mesmo) uma faca no bolso e eu, que estava enclausurado dentro do carro e não teria tempo de sair e foder-lhe a boca antes de uma eventual facada, fiquei-me.

O olho pisado passou-me.
O ter-me ficado com o arrumador, não.

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Candeia que vai à frente, alumia duas vezes

Monday, March 13, 2017

Hoje


...mas sem ser tão fixe como parece, na foto.

Saturday, March 11, 2017

Pensar Não Faz Mal

Há uns dias, numa conversa com uma pessoa que estará a passar uma fase de merda, disse-lhe:
Não faz de ti má pessoa ocorrer-te, de vez em quando, "foda-se...se ela morresse este meu tormento passava!. Só faz de ti uma pessoa...
Ela não me tinha dito que tinha pensado tal coisa mas não me desmentiu. Para mim era óbvio que já lhe tinha ocorrido e era, também, óbvio que lhe doía que tal coisa lhe tivesse passado pela cabeça.

Ela ficou chocada, por uns minutos, por eu ter dito o que disse mas percebeu que não estava a fazer um juízo de valor sobre a péssima pessoa que ela poderia ser.

Pensar não faz mal.

Quando colocados perante a adversidade, o mais natural é que queiramos que a adversidade acabe e, instintivamente, que acabe como tiver de acabar. É o Maquiavel que há em todos nós. Não interessa por que motivo acaba, interessa que acabe,
Depois,
os valores, a decência, a perseverança, a educação, o sentido de justiça e tudo o resto que nos impregna o cérebro há-de tentar encontrar uma solução que satisfaça ou que torne a situação mais tolerável mas, no início, só queremos o fim do que nos magoa,
E querer o fim do que nos magoa não é mau.

É certo que não partilhamos estas coisas feias que nos andam a massacrar o lado lunar da nossa mente e não o partilharmos quer porque temos vergonha delas quer porque achamos - com bons motivos para isso - que quem ouvir vai ficar pasmado com a nossa falta de escrúpulos ou com o nosso egoísmo. Sucede que estes apóstolos dos bons costumes são como nós.

Perdi a vergonha dos meus pensamentos há muito.
Em primeiro lugar,
porque não tenho completo controlo sobre o que penso e, honestamente, nem sempre tenho controlo sobre o que faço;
Em segundo lugar,
porque quero que se foda o que os outros pensam sobre o que faço e muito mais quero que se foda o que pensam sobre o que penso.

O maior problema da pessoa de que vos falo é um bocado este:
ela sente a obrigação que lhe é imposta como sendo própria e cumpre-a independentemente do que lhe custar.
Este sentimento de ter de cumprir com o que julga estar obrigada ou que pensa ser-lhe imposto redunda em queimadela e ameaça ao seu estado psíquico, pelo que uma situação de merda, alheia, faz com que a situação própria seja de merda; o que, por sua vez, a faz sentir que está a quebrar e que não pode quebrar; o que, por sua vez, a faz sentir que se a velha tombasse a situação e a obrigação e o queimanço terminariam; o que, por sua vez, a queima ainda mais porque deseja  a morte de alguém em proveito próprio.

Quando um gajo anda fodido só serve para foder os outros e eu sou dos melhores exemplos disso.
Porque aprendi que o meu mau-estar alastra, preocupo-me muito em andar o mais equilibrado que consigo em benefício próprio e alheio.
Pode parecer, de vez em quando, que o meu egoísmo é apenas isso, egoísmo. E de vez em quando é porque os outros, como massa amorfa, interessam-me pouco mas nem sempre é uma manifestação de Rei Sol.
Mesmo para as pessoas a quem quero bem é preciso que eu me preocupe muito comigo, caso contrário ando a desejar que mesmo estas parem de me foder a cabeça, incluindo os momentos em que não me estão a foder a cabeça.

Em suma:
Pensar caralho, se a X morresse a minha vida era tão melhor...não prejudica ninguém nem faz de ninguém má pessoa;
Pegar numa almofada e sofocar a X já é muito mais questionável, não é?

Bem,
há mães que no desvario da depressão pós-parto e por privação de sono abanam crianças até as matar, não há?
(SEM A MÍNIMA INTENÇÃO DE AS CULPAR) Se calhar, se tivessem dito aos maridos/namorados/pais/mães/avós pá, tirem-me a criança das mãos por umas horas porque preciso de dormir e não estou a aguentar mais este camelo! alguns teriam sobrevivido.

Friday, March 10, 2017

Chateia-me um bocado parecer que estes últimos tempos têm sido uma espécie de homenagem póstuma ao Prince. 
Não aprecio descobertas e dar valor depois do desaparecimento.

Em minha defesa, voltei a cair em Prince não por ele ter morrido mas por ter apanhado, ao acaso, o My guitar Gently weeps com ele a tocar guitarra, apenas.

Então, vamos bombar para o FDS com FUNK!!