Friday, October 19, 2018

(isto anda tão mau que nem ando com vontade de escrever)


Thursday, October 18, 2018

...

Sim,
Deve haver o perdão
Para mim
Senão nem sei qual será
O meu fim


Para ter uma companheira
Até promessas fiz
Consegui um grande amor
Mas eu não fui feliz
E com raiva para os céus
Os braços levantei
Blasfemei
Hoje todos são contra mim

Todos erram neste mundo
Não há exceção
Quando voltam a realidade
Conseguem perdão
Porque é que eu Senhor
Que errei pela vez primeira
Passo tantos dissabores
E luto contra a humanidade inteira

Sim
Cartola por Ney Matogrosso

Wednesday, October 17, 2018

Uma Conversa Imaginária

(...)
Pá...dizer que não tenho nada é exagerado mas dizer que tenho também é capaz de ser.
Quando ouço alguém dizer que tem alguma coisa parece passageiro e não estou certo ser esse o meu caso.

(...)
É difícil dizer.
Estou um bocado farto de tudo. No meu caso, estar contrariado é uma merda...
É óbvio que ninguém gosta de estar contrariado em lado nenhum e a fazer nada; é óbvio que as pessoas ficam com mau feitio quando as coisas não estão a correr como elas querem.
Dá-se que além de o meu feitio ser um bocadinho pior do que o da generalidade das pessoas, quando estou contrariado começo a sofrer fisicamente. Não tenho, por exemplo, a certeza se me doem os dentes ou se imagino que me doem os dentes...não sei mesmo!

(...)
Não.
Tu és das poucas coisas de que não estou farto.
É natural que aches isso. Eu, provavelmente, acharia o mesmo. Mas não de podes esquecer, agora, de tudo o que sou e do que fiz: eu não te minto. Se estivesse farto de ti, dizia.

(...)
Por vários motivos.
Um deles é que acho estúpido. Detesto gente que se queixa. Tudo tem solução. Chorar, não resolve merda nenhum.
Outro é que tu tens acesso directo ao que penso ou estou a pensar; quer se me perguntares quer se fores ler a porcaria do blog.

(...)
Pá...eu sei que é injusto. Ou melhor: não sei se é justo ou injusto.
Será injusto se eu usar o que por lá escrevo como uma carta ou uma forma de te contar merdas. Isso não acontece.
Não é injusto se eu não usar aquilo para nada nem te pedir que andes a controlar o meu estado de espírito por lá.
...o que acontece, e é fácil de perceber, é que há assuntos que eu não consigo abordar e outros que não sei, sequer, como se abordam do nada nem como se chega lá.

(...)
Então: do nada, vou começar a falar de um potencial ateísmo e de como isso se relaciona com o meu dia-a-dia? Muitas das vezes - ou as mais das vezes - eu nem sei que vou lá chegar quando parto.
Vou arrancar com a forma como a queda do Muro de Berlim poderá ser a explicação para as guerras civis que começaram a grassar por África ou ajudaram a desregular os direitos humanos?
...ou pior! Queres que me ande a queixar, como uma pêga, de estar preso a uma situação que não me agrada e não fazer nada quanto a isso?!
Não é a minha cena...

(...)
É. Eu só pareço um gajo simples porque ajo como se não ponderasse merdas. Porque sou rápido.
Eu não sou simples.
Eu não sou fácil.
Parece relaxado ser-se como eu...mas não é.

Monday, October 15, 2018

É possível que este seja Negro...vai depender da Perspectiva

Debato-me com alguma frequência com a existência de Deus ou de uma entidade qualquer desse género.
À medida que vou crescendo e - espera-se - evoluindo, encontro cada vez menos motivos palpáveis para acreditar num Senhor Supremo e que tudo controla. Este sentimento é muito alimentado pelo conhecimento que me permite reconhecer a ciência que muitos dos crentes desconhecem e, verdade seja dita, uma esmagadora maioria dos fiéis de qualquer religião é ignorante ou muito perto disso.
É esta ignorância ou a vontade de alimentar esta ignorância que queimou o Copérnico e tantos outros cientistas;
É a vontade de querer pintar a Bíblia, por exemplo, de alegórica quando era óbvia e claramente vendida como literal.

Ah, K, querias que continuassem a carregar em Adão e Eva e na Arca de Noé?! Como poderiam todos os animais caber num barco?!
Não é que quisesse. Talvez me desse mais conforto.
Foi magia ou milagre! mas ao reconhecer que se inventaram cenas a realidade, aos meus olhos, é que andaram a enganar as pessoas à má fila e, quando não o puderam continuar a fazer, disseram ah, era a brincar!

Não concordo, por exemplo, com a posição da Igreja quanto à questão do preservativo mas compreenderia que não a mudasse.
Cada vez que alguém chama evolução ao pensamento do Vaticano, o que realmente está a acontecer é que o dogma que vendem perde valor.
Eu percebo o problema do Vaticano. São Homens. Homens não querem perder poder...

...mas, obviamente, nem era bem sobre isto.

O que me afasta do ateísmo puro e duro é a morte.
Eu não quero perder a consciência do que vivi. Eu não quero morrer.
Ah, um gajo pode reencarnar, se calhar mas para mim isso é a mesma coisa. Se o meu intelecto se vai. Se a minha consciência se vai. Se a minha memória se vai, eu já fui.

Eu tenho medo de desaparecer. Parece um eufemismo para morte mas não é bem isso...
Há uns meses, estive em coma induzido e não há medo que ocorre quando apagamos. Poderia estar morto - morte suspensa?! - e não me faria nenhuma diferença. A diferença ocorreu quando acordei. Quando acordei, percebi que poderia não ter acordado.

Então,
se eu redundar em ateu, é provável que a minha mentalidade sa foda ganhe dimensões absolutas.
Eu já acho que o que mais interessa está aqui. O que há a fazer é agora. O que tenho de agradecer é para já.
Não quero choro nem vela. Depois de eu ir ou depois de os que gosto se irem...eu fui...eles foram.

Estava a pensar nestas coisas muito por culpa do que escrevi no anterior: vou viajar.
Se eu puser em prática o aqui e agora! com o mínimo de limitações, a minha vontade não há-de ser voltar e se me despegar, de vez, de uma mentalidade e educação judaico-cristã que não me agrada mas que cá está é provável que não voltasse.

Isto é uma bichice mas também é verdade:
o tempo que perco a trabalhar não estou com Ela. Eu sei que nesta época cada um é cada qual e de noite para sair com os homens e noite das meninas isto pode parecer arcaico mas cada um tem interesse no que tem.
o tempo que perco a trabalhar não estou a tirar fotografias e a olhar durante muito tempo para o que quer que seja que apenas a mim interessa.

Se é só aqui e agora, vou fazer outra coisa para quê?!
Ser mendigo ou viver na rua é mau? Pá...será assim tão óbvio?

Se o tempo que tenho aqui é limitado e se não há tempo depois, porque haverei de me preocupar com ter o que quer que seja ou parecer uma coisa ou outra ou projectar uma imagem de um sucesso que nunca levarei comigo?

Saltar de aviões;
Conquistar montanhas;
Comprar um Ferrari;
Aparecer numa revista;
Ajudar os pobres;
Colocar posts alegres;
Dar opiniões fundamentadas e fundamentais a quem precisa.

...para quê se o que eu quero é estar a ver um filme no sofá, com a merda de uma manta, com ela?!

É verdade que isto parece o que eu prego e faço.
Parece e é.
Estou é a falar de uma dimensão a que ainda não chego.

Ainda há um fio que me liga ao que me educou mas não estou certo de quanto tempo vai durar nem o resultado que daí surgirá.

Ansiedade

Considero ansiedade uma bichice e assim o considero, parece-me, porque não padeço desse mal.
Sou very cool em pressão mas mesmo isso tem as suas tristes excepções.

Daqui a uns dias, vou de férias para longe e durante algum tempo. Vou para o terceiro Mundo. Vou para onde tem havido umas quantas tempestades e tremores de terra. Vou para onde a água não é super confiável e para onde a electricidade é um luxo nem sempre presente.
Ah, K, então a tua ansiedade tem justificação!

Teria.
Dá-se que nada disto me deixa ansioso.
É certo que por causa Dela fico mais apreensivo mas ansioso não.

Raramente quero voltar.
Quero quase sempre ir.

Então, à medida que o dia de partida vai chegando começo a entrar em modo de alerta máximo.
Não quero que me doa nada; não quero bater de carro; não quero partir uma perna; não quero erro nos bilhetes de avião; não quero andar muito na rua para que nenhum imprevisto possa acontecer.
Foi sempre assim. Independentemente do destino.
É a luta contra a Lei de Murphy que na maioria das vezes não é uma luta. É uma eventualidade que me preocupa pouco.

Apesar de ser, por natureza, um control freak, aprendi a deixar rolar e enfrentar o que houver a enfrentar quando for necessário. Não desconsidero que esta postura é reforçada pela calma que, feliz e orgulhosamente, demonstro e aplico quando a adversidade surge.
...mas quando está para acontecer o que quero muito que aconteça, toda esta maravilha de lógica e racionalidade vai com o caralho.

(vamos, por agora e para não piorar, esquecer que vou passar umas 20hs dentro de um caixão com asas, coisa que também muito me desagrada)

...e o meu feitio está pior e sem perspectivas de melhorar até estar dentro do avião.

Friday, October 12, 2018

JUNG, Bitches!

É para mim muito estranho que as palavras bastem a alguém.
Há uns dias, Ela contou-me o que um gajo mais acima na escada lhe tinha dito. E o que esse gajo disse agradou-a.
É sobejamente conhecido por Ela que eu não confio naquele gajo. Não é que o ache mau gajo. Não é que o considere um idiota (considero o oposto, na verdade, o que é raro em mim). Não é que o pense como sendo uma pessoa a evitar.
Não confio nele porque é certo que não o ouço falar muitas vezes mas mais certo é que sei o que fez ou ainda faz e a maneira como procede e não como diz proceder.

Ah, K, podes estar errado!
Posso. É sempre uma possibilidade que não excluo.
Pode parecer estranho quando se me lê ou quando se me conhece mas a verdade é que parto sempre - mas sempre - da possibilidade de estar errado.
O que acontece é que penso e decido depressa e, por isso, a aparência é que não houve lugar a qualquer dúvida. Mas há sempre.

Bem,
a base do meu raciocínio é simples e gente mais inteligente do que eu não pensou diferente

Wednesday, October 03, 2018

NOSTALGIA

...não sou nostálgico numa medida semelhante mas ainda mais do que não sou mentiroso.
Não sou mentiroso mas minto, ainda que raramente;
Não sou nostálgico e quase nunca sinto nostalgia.

Hoje, por causa de uma merda que queria fazer para ser simpático com quem merece, meti-me até aos joelhos numa rede social.
Na tentativa de encontrar quem procurava - o que não aconteceu - tive de vasculhar umas quantas pessoas que temos em comum de há uns 15 anos atrás, talvez.
Essas pessoas em comum, continuam a dar-se todas umas com as outras; algumas têm filhos; outras estão casadas; algumas têm um negócio próprio; outras fazem outras merdas.
O traço comum é que se continuam todas a dar-se como nós (sim, eu também) nos dávamos há, seguramente, mais do que uma década.

(neste ponto, devo dizer que a minha opinião quanto ao que se demonstra nas redes sociais não mudou: é uma versão idealizada que não corresponde à vida real. É uma bocado como o óbvio facto de que a Olivia Wilde não caga.
Assumirei, contudo, por facilidade de raciocínio, que todos são felizes como parecem)

Enquanto me expus a estas fotografias, não pude deixar de sentir pena de ter ido para um outro lado e não ter tribo.
Para tentar ilustrar o que quero dizer:
Disse-me uma amiga: À porta da estação estavam uma quantidade enorme de gajos a tentar evangelizar as pessoas que saíam e a mim...NADA!!! É óbvio que eu não quero ser convertida mas nem sequer tentarem?!

Este sentimento é básico e triste mas assola os mais desenvolvidos de nós porque....humanos.
It´s nice to be asked não é?

Foi um bocado este sentimento básico que me apoquentou por uns momentos.
Qual o motivo de se continuarem a dar e não se lembrarem de mim?
Como é possível festejarem aniversários e não me convidarem?

A realidade, pura e dura, é esta:
Estes gajos continuam a dar-se da mesma maneira que sempre se deram e eu passei a ser uma outra coisa.
A mentalidade de tribo é reconfortante mas monocromática e monocromático, para mim, só em fotografia.

Estava a vê-los e a lembrar-me que nem todos me agradavam já na altura e esse sentimento só poderia piorar.
As piadas ou expressões são as mesmas que eram há 20 anos e eu já não sou isso.

Imaginei, por isso, uma distopia em que a minha integração era possível.
Uma realidade paralela em que eu quero ser convidado para casamentos e baptizados e aniversários e jantares e merdas. A realidade é que não quero.
Formou-se uma selectividade na minha memória que tolheu a vivida realidade que foi a última e penosa vez que estive com eles.

Estou preso à sociedade por um fio e por Ela.
A esmagadora maioria das vezes, eu não quero conviver com o que há porque o que há não me interessa.

E, ainda assim, deu-me para a paneleirice que descrevi e descrevi porque não tenho vergonha de quase nada e porque a minha segurança, não sendo inabalável, desapareceria se me limitasse a dizer uma coisa, sentir outra e fazer uma terceira.

Foram uns minutos de merda.
Depois, o sol dissipou as nuvens.

Friday, September 28, 2018

...não sou de cá (II).

Ontem (acho que foi ontem), comecei de uma maneira que terminou noutra mas dei por ela que mais do que ter começado de uma forma que não correspondeu ao seguimento...o intuito do próprio título era um outro.
Vamos ver se hoje vai para onde deve.

Há uns dias, Ela disse-me - surpreendida e algo indignada - que o Chefe dela se preparava para não cumprir com o que tinha dito a uma outra funcionária.
Isto é de indignar e surpreender?
Não.
O Mundo corporate é assim. Não existe uma conceito de bem e de mal como se lê nos livros nem de dignidade ou justiça como se propaga na sabedoria popular e nos filmes.
Karma? Fuck Karma. Especialmente se for o nome artístico de uma stripper.

Eu sei disto.
Eu não gosto disto.

...mas, para pena minha, não é só este tipo de merdas que me faz pertencer a uma realidade alternativa que não consegui, ainda, materializar.

A própria estupefacção perante o facto de uma cobra morder é-me dolorosa.
A gaja que está ao meu lado, por exemplo queixou-se há uns momentos que fez uma qualquer merda que terá sido espectacular e a Chefa nem sequer lhe ligou a dar os parabéns.
Saí daqui e fui fumar para o lugar mais isolado da zona e lá vieram três gordas - só uma delas era gorda, de facto - discutir sobre o que uma qualquer estava a fazer na impressora e como isso as indignava.

Pá...eu sei que isto não é tão significativo quanto isso mas tudo junto enlouquece-me. Especialmente quando a minha sanidade já não anda lá grande coisa.

Aqui há um tempo, o Pai dela - gajo porreiro - disse-me para um gajo ir dar uma volta. Estávamos numa reunião de família que já me estava a esgotar e ele só estava um bocadinho melhor que eu.
Íamos a falar no carro e a coisa resvalou para o reconhecimento no trabalho.
O meu reconhecimento quero-o apenas em dinheiro. Caguei no elogio. Caguei nas palavras. Caguei que digam que eu sou o maior. D-I-N-H-E-I-R-O!
Ele não acha igual. Ela não acha igual. A gaja que está ao meu lado não acha igual. A esmagadora maioria das pessoas que eu conheço não acha igual.

Reparem: eu nem sequer sou materialista. Eu nem sequer ligo por aí além a coisas.
O que se passa, contudo, é que dinheiro é mais caro que palavras e não é enganador.
Querem que sinta que sou apreciado? Paguem!
As palavras não me dizem coisa nenhuma, com excepção de um punhado de pessoas cuja opinião me interessa.

Este Mundo não é para mim.
Eu não sou corporate,
Eu não finjo que choro por cada mosca que tomba.
Eu não digo que uma gorda é larga de ossos.
Eu não chamo negro a um preto.
Eu não ando à pesca de elogios.

Eu quero ir para o meio do monte.
Parece uma vontade mas está a transformar-se numa necessidade.

....e lá voltaram estas gajas todas para continuar a sofrer a falta de reconhecimento.
Puta que Pariu.