Wednesday, October 18, 2017

É Triste mas é Assim...

Hoje ligou-me a minha primeira Ex porque achou que me tinha visto num lugar qualquer, coisa que não aconteceu.

Não perderei tempo com o teor da conversa, por desinteressante na sua grande maioria, mas direi o seguinte:
Passado este tempo todo, tenho dificuldade em saber o que me levou a gostar tanto dela e é possível que tal se deva a não me lembrar da pessoa que era na altura ou, talvez, a pessoa que ela era na altura.
Hoje - não necessariamente hoje... - pareceu-me tão chata como todas as outras pessoas de quem me fui desligando com o passar do tempo; o que lhe interessa a ela não me interessa a mim e nesses interesses incluo-me: eu não me interesso muito.

Uma outra evidência ou confirmação é o meu entendimento daquilo que é o amor e que, como sempre acontece, o Pessoa descreveu melhor que eu:
O amor não se conjuga no passado, ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente.

Eu sei que isto parece triste e trágico mas tenho o mesmo entendimento: Só se Ama: Não se Ama muito; não se Ama pouco; não se Amou; não se Amará.

Agora, não é e, por isso, nunca foi.

Tuesday, October 17, 2017

Uma Semana - 2.000 Kms

Descontando tudo o que de muito mais fiz, o título resume as minhas férias.
Poderia ser relevante uma descrição mais pormenorizada quanto a lugares e que tais mas isso interessa-me, em geral, menos porque as especificidades são menos relevantes do que as abstracções. Menos relevantes ou menos interessantes o que acaba por dar no mesmo.

Se as férias servem para sermos, durante algum tempo, aquilo que gostaríamos de ser a tempo inteiro então foi isso que fiz.
Saí apenas com o destino seguinte programado. Passei de um destino para o outro apenas com o seguinte passo na agenda e de dia para dia era isso que ia acontecendo.
Ir aqui deve ser giro e, depois, dar espaço ao tempo para tudo o que pode acontecer pelo meio. Saber que o programa é chegar ali mas consciente de que, como tudo o resto, muito pode ocorrer até se chegar lá e, as mais das vezes, o mais significativo acontece no entretanto e não no princípio nem no fim.

O inesperado é inevitável por muito que se programe, pelo que o melhor é abraçar essa incerteza e deixá-la assumir a importância que terá quer queiramos quer não.

Para se Ir da forma que me agrada Ir há dois caminhos: sozinho ou com alguém. 
Apesar de parecer uma evidência parva, nem todos conseguimos ir sozinhos e nem todos encontramos alguém para ir connosco.
No meu caso, ir sozinho não me causa nenhum embaraço e é a regra geral das minhas partidas. Não é a mais fácil das empreitadas encontrar companhia para estar em constante ou quase constante movimento.
É certo que irão ouvir ou ler por toda a parte gente que se assume como aventureira e à procura de experiências novas mas metam essa gente em trilhos de cabras durante uma hora para descobrir uma praia; metam essa gente em trilhos de cabras durante uma hora para descobrir uma praia que, à partida, não se sabe se compensará o custo....e, depois, de não valer, descubram nessa gente quanta não ficará fodida e apenas pensará bem...falhou. Sa foda.

Neste tipo de aventuras, como na vida, nem tudo corre bem e isso não é um problema. Isso faz parte.
No meu caso em concreto, vou perder-me muitas vezes; vou olhar para coisas que não corresponderam ao que queria; vou procurar o que não conseguirei encontrar; vou jantar em lugares que não valeram a pena depois de me ter esforçado por lá chegar; vou pensar caralho! Mas o que vim aqui fazer?!.
....e nada disto me demove nem me entristece. Não fico triste quando corre mal. Fico triste quando não vou.

Voltando um pouco atrás:
não fui sozinho e fiquei e estou contente por não ter ido sozinho.
Também por defeito de fabrico, procuro perceber o que falha muito mais do que festejar o que consigo e, no seguimento desta falha, tendo a procurar o que me chateia para estripar. Só que, em certas ocasiões, não é de estripar mas de colocar em perspectiva: é óbvio que vai haver chatices porque eu sou como sou e a minha capacidade de criar confusão onde ela não existe é virtualmente ilimitada mas, depois, e muito mais importante:
Eu tenho muita sorte de tu seres assim...se não fosses isto não seria tão bom.

O que acabei de escrever não é segredo: disse-o.

Foram umas férias óptimas e - acho que pela segunda vez que me lembre - não estava com vontade de voltar. Melhor: não costumo ter vontade de ficar ou de voltar porque...bem, não ligo muito a uma coisa ou a outra. 
Acho que pela segunda vez não queria voltar.

Friday, September 29, 2017

IDENTIDADE

Chateia-me que se tenha passado a confundir quem se é com o que se faz.
O meu nome é X e sou pedreiro/engenheiro/toureiro.
No mesmo sentido, porque assim pensa o próprio, é comum o o que fazes ser a segunda - quando não a primeira - pergunta que é feita e um recente conhecido.

Eu sou muito mais que isso, ainda que o que faço me ocupe a maior parte do dia;
Os outros são muito mais que isso, ainda que não se apercebam e se não forem...tenho pena deles mas quero distância (um dos meus problemas principais com médicos).

A minha identidade não se desliga do que faço e isso é muito mas muito irritante.
Não interessa o que estou a fazer: não interessa se estou a fazer uma peça ou se estou a tirar fotografias; não é importante se é profissional ou lúdico. Em qualquer dos casos, ser mal sucedido fode-me a cabeça.
Em qualquer circunstância, o resultado ser pior do que aquele que entendo deveria ser não é uma notícia bem recebida.

Podem pensar que eu sofro do mesmo mal que critiquei mas não sofro.
Sofro de um que, provavelmente, é pior.

É certo que sou muito mais do que o que faço mas também o sou durante muito mais tempo.
O que eu faço desliga-se (mais ou menos...) quando deixo de o fazer mas O que eu sou está sempre ligado.

Dou-me muito mal com aquilo que é, para mim, ser mal sucedido.

Parece que não tenho grilhões porque não são muito visíveis mas tenho. Não são muitos mas são estupidamente pesados.

CHOREM!

Thursday, September 28, 2017



Desistir desistir, nunca consegui.
Já fui bem sucedido a fazer com que desistissem por mim mas eu desistir, nunca deu.

Nem sequer tenho particular orgulho nisto porque, como tudo na vida, deverá haver um momento a partir do qual não se deve aguentar/suportar mais e pensar sa foda.

O que se dá é que sou tão torcido que mesmo no caso desta citação penso mas que dor me vai obrigar a fazer o que quer que seja?! Pó caralho!

....e depois, com uma motivação que não é das melhores, acabo por suportar e, quando corre bem, superar.
....mas há altura, como esta, em que tenho vontade de não fazer mais e esquecer e como isso também me incomoda, sinto o pirómano dentro de mim a rugir, juntamente com o Lobo.

Vou ler a história da Ciência nos tempos da URSS e pode ser que passe.

Wednesday, September 27, 2017

Joana Amaral Dias

A Joana Amaral Dias excitava-me um bocado e, durante um bom tempo, considerei ser ela o único motivo para se ser Comunista em Portugal.

....a coisa foi piorando e deu nesta estupidez: http://ptjornal.com/joana-amaral-dias-quer-acabar-mulheres-apalpadas-no-metro-199167

Pá...chega.
I´M OUT!

Perfeccionista

Quando se vai a entrevistas de emprego é muito comum pedirem que elenquemos os nossos defeitos ou, pelos menos, o maior defeito.
Porque acho que sou esperto mas, na realidade, sou estúpido tendo a responder exactamente ao que me perguntam e a minha resposta - sem bem me lembro - tem sempre que ver com impaciência e/ou dificuldade de me concentrar durante muito tempo; ou seja, defeitos reais!

Isto, as mais das vezes, tem duas consequências adversas:
1. Assustam-se com a realidade de o que é um defeito;
2. Assustam-se porque se este gajo diz que é impaciente a merda deve ser de selvagem! o que só muito raramente é verdade.

....mas não era exactamente sobre isto:

Uma das respostas típicas que me foram dadas é sou muito perfeccionista.
Esta informação revela-me algumas coisas e nenhuma delas boas.
I Este gajo está a achar que este defeito é um elogio a si mesmo encapotado (coisa como preocupo-me demais com os outros...);
II Este gajo não sabe o que é o perfeccionismo porque não dá para ser muito perfeccionista...só dá para ser perfeccionista;
III Este gajo é burro ou acha que eu sou burro;
IV Este gajo acaba de me convidar a mandá-lo pró caralho porque gente perfeccionista é uma puta de uma chatice.

Percebem?
Não há como receber bem esta afirmação.

Lembrei-me disto porque há uns dias me disseram que eu sou perfeccionista...o que é tudo o que eu não sou.
Além da perfeição em si me desinteressar, a minha personalidade não se dá com minudências porque a paciência me escapa.
Eu nunca releio nada do que escrevo aqui e sei muito bem que se relê-se a coisa ficaria mais bem feita e, de certeza, melhor pontuada mas isso não me interessa.
Eu prefiro prazos curtos para tudo porque prazos longos expõe as minhas fraquezas enquanto os curtos demonstram as minhas forças.

...uma pessoa que passa meia hora a arranjar o que quer que seja dá-me muito nos nervos.
Perfeição não existe;
Perfeccionismo é uma patologia.

Sujo e imperfeito e so so cool:

Tuesday, September 26, 2017

Massajar Ego

Não dou muito importância a ser massajado, especialmente no Ego.
Infelizmente, como ainda sou humano, não me desagrada o elogio e, ainda mais infelizmente, como tenho alturas em que estou menos que contente aprecio um bocado mais.

Pelo que descreverei, entenderão que, apesar do escrito, não são muito as mãos dos outros que me interessam mas antes as minhas, com tudo que isso tem de bom e de patológico.

Desde há uns tempos para cá, optei por trazer um livro para me fazer companhia ao almoço e, assim, evitar engolir o almoço em 15 minutos e voltar a enfornar-me no trabalho.
Ontem, estava na minha a ler e ouvi:
Ah, que bem!
Era uma gaja que trabalha no mesmo edifício que eu e que se excita um bocado comigo (full disclosure: não acho que se excite comigo mas antes com a ideia que eu me excito com ela).
Já pensei fazer o mesmo que tu mas ainda não ganhei coragem.
- Se calhar devias. Enquanto não chove, é porreiro estar sentado num jardim e ler um bocado a meio de um dia de labuta
(desligou o telefonema que estava a fazer e continuou)
Talvez. Acho que te venho fazer companhia, um destes dias.
(sorri mas não respondi. Primeiro porque não alimento gajas que se excitam a excitar outras pessoas; Segundo porque não gosto de aquecer comida que não tenho intenção alguma de comer).

Pensarão Ah, K. Excitou-te todo! e estarão errados.
Não foi desagradável, entendam, mas não me excitou puto.

.....depois, enquanto esperava pelo meu elevador, abriu a porta de um deles e vi o meu reflexo no espelho: Cabelo muito curto e desgrunhado. Barba muito mal desfeita. Óculos de sol grandes e espelhados. Nem semelhança com sorriso. Camisa de fato com dois botões abertos. Meio moreno. Pescoço grosso que corre para ombros mais largos.

Pensei: Foda-se, K. Tu és bocado espectacular.
Ar de macho como já se fazem poucos com bad boy metido pelo meio....e a ler cenas cool num banco de jardim à hora do almoço.
De vez em quando, és um bocado top.

E acho que é verdade.
Não completamente nem sempre mas...em parte e com alguma frequência.

Enquanto via e imaginava isto, ouvia isto:

Monday, September 25, 2017

Já Não me Ria Assim Há um Bocado