Monday, November 20, 2017

O facto de tomarem conta de mim não me traz conforto porque é algo que confio não ser necessário e a ideia de que essa necessidade existe faz-me muito pior do que a maleita ou problema em si.
O facto de quererem tomar conta de mim é o suficiente.

Não é a concretização do que quer que seja que me revela a verdade porque a concretização depende de muitos imponderáveis que podem não colaborar com a materialização de uma intenção.
A vontade de concretizar revela mais; a vontade não depende de nada.

Saturday, November 18, 2017

Materialização de Uma Ideia

Tenho algum orgulho no facto de conseguir explicar o que quero dizer mas estou certo que nem sempre o consiga fazer.
Um assunto recorrente por aqui (e na minha cabeça) é a minha incapacidade de ser o que provavelmente precisaria de ser para ter aquilo a que se chama de sucesso profissional.
Vamos, por um momento, concordar que não se trata de incompetência - ainda que possa ser - e nem de falta de vontade de trabalhar - esta, não pode ser. Para este efeito, vamos, também, considerar que gente muito menos capaz do que eu é muito mais bem sucedida.

Então,
ontem, Ela contou-me que tinha vindo de uma cena em que estiveram a falar de responsabilidade corporativa e valores que norteiam a forma de actuar das empresas (valores do mais alto calibre, claro).
Um dos gajos que falou era o CEO de um empresa internacionalmente grande.

Tudo isto é merda!
A responsabilidade corporativa de uma empresa é ganhar dinheiro;
Os valores que norteiam uma empresa são como posso ter mais rendimento com menos custo.
É certo que haverá diferentes graus para o mau-caratismo das empresas mas não existem entidades empresariais bem sucedidas que pratiquem a responsabilidade social que apregoam. Não há.
...mas isto só se diz em surdina.

Quando em gatherings, são todos espectaculares, imaculados e quase virgens, muito cientes dos problemas da sociedade e preocupados com eles porque, afinal, não vale tudo.
Treta, uma outra vez.

E aqui reside um dos problemas.
Não sou moralista. Os negócios existem para fazer dinheiro e isso é óbvio e natural.
Se me disserem K, vamos ser um bocado filhos da puta mas é preciso para vencermos X, Y ou Z eu não colocarei objecções e, dependendo da filha da putice, poderei até colaborar.
O Mundo não é esterilizado e eu também não.

MAS eu não sou capaz de fingir que acredito no que se quer vender. E por desfeito pessoal (talvez seja uma questão de orgulho), não sou capaz de não reagir quando confrontado com um evangelizador. Não sou capaz de abanar a cabeça em assentimento quando me estão a dizer balelas.
Consigo ficar calado e, ainda assim, é duvidoso que os meus olhos não mostrem o quanto desaprovo hipocrisia; Não consigo responder o que querem ouvir quando directamente questionado.
Os espertos, deixam-me no meu canto e não me ligam;
Os burros, olham para mim como uma alma a converter e essa merda nunca lhes corre bem.

O ideal, para se conseguir subir a escada, é saber o quão estúpido isto é mas manifestar completa concordância e ajudar a vender kunamis. O ideal é fazer isto mas tendo consciência de que se está a fazê-lo.
Sucede que se se for estúpido e comprar o discurso e depois vendê-lo, também funciona! E há gente bem sucedida que é suficientemente estúpida para vender uma coisa, fazer outra e nem se aperceber disso!

Não sei se fui bem sucedido na explicação mas aqui fica.

Ah:
Mas uma empresa não pode ser bem sucedida e defender valores humanistas e de decência?!
- Uma empresa grande e global?
Sim, por exemplo.
- Não.
...não concordo.
- Conheces a Apple, produtora do teu telefone espectacular? A empresa mais capitalizada da Bolsa? A empresa que partilha com o santo Bono a campanha RED e que quer que todos sejam diferentes e especiais e tal?
Claro!
- Pergunta à Siri o nome da criança chinesa que montou o teu IPhone.

Wednesday, November 15, 2017

Little Bitch

Não sou muito dado a sentir muitos sentimentos - ou sou e não sei - mas achei isto very cool e foi mais uma demonstração que até em coisas medíocres se encontram bons momentos:


Tuesday, November 14, 2017

Sou Espectacular (sem outra coisa)

Sábado passado, uns amigos tentaram que a filha partilhasse uma das cenas que tinha na mão comigo e a miúda recusou-se.
Além de poder ser tido como uma comportamento normal de uma criança, tinha acabado de a assustar (peguei nela, vindo de trás a achar que podia ter graça mas, obviamente e como qualquer gajo menos idiota que eu saberia, não teve).

Fui a um outro lugar com o Pai da miúda e, depois, cada um foi à sua vida.

Passados uns minutos, ligou-me para saber onde estava e deu-se que ainda estava perto.
Então, saíram de casa (ele, a Mãe e a miúda) e vieram ter comigo para que a criança me desse um doce.

A forma como eles educam a filha é-me um bocado estranha. É demasiado new age e a natureza ensina para o meu gosto mas, independentemente de todos os desacordos ou ideias ou seja lá o que for, a verdade é que em vez de se conformarem e ficarem sentados com um comportamento que não lhes agradou, fizeram o trabalho de educadores e deram-se ao trabalho de implementar, de facto, aquilo que defendem e de educarem a criança da forma que lhes parece mais conveniente.

Ah, K...mas por que motivo és tu espectacular?!
Simples.
Mandei-lhes um E-mail a dizer isto mesmo.
Achei admirável.
Achei que devia dizê-lo.

Nobreza de carácter, bitches!

Sou Espectacular (ou outra coisa)

Hoje, recebi uma chamada de alguém muito próximo do pânico sobre dosagens medicamentosas sobre a mesma cena de que padeço.
Esta pessoa toma manifestamente menos droga que eu o que, simplificando o óbvio, tem o mesmo problema que eu mas de menos agudo.

Quando se descobriu a maleita de que padeço a minha reacção, durante um par de dias, não foi boa.
Chateou-me muito deixar de ser de ferro e passar a ter uma brecha na armadura; a ideia de fraqueza dá-me cabo dos nervos e esta era uma fraqueza mas, depois, foi esta a carta que me saiu? Sa foda! e segui em frente, como continuo a seguir.

Quando as pessoas descobrem que sou diabético fazem o mesmo ar de quando descobrem que alguém está para tombar.
Não me incomoda.
Não me sinto a tombar.

Agora, a única coisa que me incomoda é ter de me lembrar de tomar medicamentos e mais nada.
O resto, é o que é e tem de ser encarado.
Faço a minha vida e tenho o mínimo de cuidados e, por acaso, estou melhor e pude reduzir as dosagens mas, se não pudesse...era o que era.

Esta pessoa estava em stress parafuso.
Eu não stresso parafuso, na esmagadora maioria dos casos, independentemente da gravidade.

Por isso, sou espectacular.

Mas pode ser outra coisa.

Curiosamente, uns minutos antes da chamada, vi que a estatística diz que morrem 20 pessoas por dia, em Portugal, com problemas relacionados com diabetes.
Reacção? 
Nenhuma.
A ideia de que poderei ser uma destas 20 pessoas não me escapa, considero-o possível e não estou nada preocupado com isto. Temos de ir de alguma coisa e em alguma altura.

Eu tenho algo de destrutivo em mim e, eventualmente, esta será uma manifestação dessa ideia de que tudo nasceu para ser destruído e, por isso, eu também.
A diferença entre isto ser racional ou patológico não é óbvia mas, neste momento, acho que ainda é racional.

Monday, November 13, 2017

Exaustão

Antigamente, era daqueles gajos muito irritantes que corrigia o que as outras pessoas diziam quando estavam enganadas.
Não, isso não é assim, Não, isso não se diz assim, Não, isso não se escrever assim, Não isso não aconteceu assim e por aí fora.
Poderia pintar agora o quadro desinteressado de que só queria ajudar ou só queria que as pessoas aprendessem mas não era o caso; o que eu queria era que se percebesse que eu era mais esperto e que sabia mais cenas.

Isso mudou com o avançar da idade.
Primeiro, deixei de querer saber se os outros me viam tão valioso como eu me via;
Segundo, comecei a perceber que isto me trazia chatices e nenhum proveito porque criava nas outras pessoas a ideia de que estavam a ser enxovalhadas (e a esmagadora maioria das vezes não era verdade);
Terceiro, passei a cagar no que os outros pensam quando não me traz qualquer consequência.

Esta evolução - se é que o foi - termina na minha decisão de apenas dar opiniões que me são solicitadas, independentemente da estupidez que me seja trazida pelo vendo.
Hoje, só quando expressamente interpelado para o efeito teço comentários sobre aquilo que não me diz respeito.
E o que te disse o K sobre isso (eu estava presente)?
- Descreveu o que achava poder vir a acontecer dependendo da escolha que tomasse mas não emitiu opinião sobre a escolha em si.
Oh, K, então?! Tu tens sempre opinião.
- Tenho mas só a digo quando expressamente pedida.

Parece fundamentalismo. E é.

O corolário destas duas coisas levou a que me ponha ao fresco sempre que exposto ao que, aos meus olhos, são parvoíces.
Opiniões disparatadas quanto a política;
Dizeres sem qualquer fundamento sobre ciência;
Posições que resultarão num resultado oposto ao que a dita posição pretende.

O problema é que, muito raramente, fico preso como um pássaro enjaulado por incorrecções e parvoíces e sinto o antigo K borbulhar e querer corrigir toda a gente; na falta de escapatória, tendo a querer fazer o que faço sempre quando encurralado: bater.

Orgulhosamente, direi que tenho conseguido evitar retornar ao anterior mas isso, neste última caso que descrevi, deixa-me completamente exaurido; parece que levei pancada da grossa.
Pá, vou ter de dar um tempo a isto. Foi muito agressivo. Vou ter de recuperar...

YES


E...

(esta é por conta da série Mindhunter)

Friday, November 10, 2017

FUCK 2017!

Acabei de descobrir que o Gregg Allman também tombou.
Eh, pá...foda-se.

Há uns anos comprei um CD da Nina Simone em que numa das músicas (acho que na Mississipi Goddamn mas sem certezas), a meio, ela começa a elencar os músicos de jazz que tinham morrido naquele ano e diz vai sobrar alguém?!

2017 é ano para um gajo fazer a mesma pergunta.

RIP


Assédio Sexual IV e Outra Cena(s)

LOUIS CK

O último (enquanto escrevo) a ser acusado de assédio e crucificado é este gajo.
As acusações são de que ele perguntava às mulheres se se podia masturbar na sua presença e, segundo parece, uma delas ouviu-o a masturbar-se enquanto falava com ela ao telefone (como isto acontece, desconheço).

Pá...eu não percebo esta de andar a tocar ao bicho em frente a gajas mas, segundo parece, é prática habitual ou no Mundo ou naquele círculo; nunca me ocorreu fazer ou pedir tal coisa.
Dito isto:
se o gajo pergunta se pode bater uma à frente de uma qualquer mulher isto pode ser nojento mas não sei ao certo como isto poderá ser considerado assédio.
se a mulher entra e um gajo saca de pixota e começa a esgalhá-lo, parece-me obviamente assédio ou semelhante mas quando se pede...tenho dificuldade.

Dito isto:
pode dar-se o caso de, por conta da posição de poder que alguém possa ter (em alguns dos relatos o CK já era um gajo estabelecido mas em outros nem tanto) os pedidos poderem ser ou parecer ordens mas isto, em si, é mais ambíguo.
Pode ser; pode não ser.
SE o facto de recusarem o pedido lhes trouxer consequências, é;
SE o facto de recusarem o pedido não lhes trouxer consequências, não é;
SE o facto de recusarem o pedido as leva a pensar que haverá um preço a pagar...é demasiado psicológico para poder ter uma posição que me seja possível definir em duas linhas.

Percebam: 
A mim, parece-me nojento isto mas também me parece nojento comer insectos.

Objectivamente, isto é assédio?
Tenho dúvidas...

ESTOU SEMPRE EM DEFCON III

Defcon é um código para estado de prevenção que vai até V.
Isto foi dito por um gajo neste contexto:
Pá, acho que por ter levado muito na tromba na escola, o meu estado psicológico ficou afectado para sempre! Estou, constantemente, em Defcon III.

Este gajo é cinturão negro de umas quantas artes marciais e foi, em termos amadores, lutador.
Desde há muito, parte do seu ganha-pão é comentar combates de MMA.

Não sei se a explicação é a mesma mas também eu estou sempre em Defcon III; também eu estou em constante sentido de alerta.
Quando andava na primária, levei um bom bocado na tromba e, uns anos mais tarde, enchi-me e comecei a partir boca a pessoas...mas não sei se a ligação é tão directa como para o outro gajo.

A verdade é que, ainda hoje, quando a merda azeda no trânsito estou imediatamente preparado para o gajo ter uma pistola no carro.
O meu estado de alerta é constante e assumo a pior das consequências quando parto para a acção.

...talvez o meu estado de alerta seja, contudo, mais psicológico do que físico.
Tenho incomparavelmente mais medo de ser enganado do que de levar na tromba.

Só por ter graça: só consigo dormir ao lado de uma pessoa em quem confie e com quem me sinta muito à vontade, o que significa que dormi (em termos literais) com muito poucas pessoas.

....

Havia mais um assunto mas cansei-me, por isso:

Thursday, November 09, 2017

Happyness