Monday, August 21, 2017

"K, estou com um problema grave..."

- Tou, então? Tudo bom?
Nem tudo, K. Estou com um problema grave e, se calhar, vou precisar da tua ajuda. Quando posso falar contigo?
- Fora de expediente, em qualquer altura. É só dizeres.
E quando é isso?
- À hora do almoço ou depois das 18. Em que dia quiseres.
À hora do almoço não dá jeito porque vou almoçar com a tua X.
- Ok. Mas qual é o problema?
Pá...Bati com o carro da empresa duas vezes nos últimos seis meses e, este fim-de-semana, quando cheguei ao carro alguém me tinha metido a frente dentro. É complicado. Então, acho que vou precisar de 1.500,00€.
- Ok. 
Não te faz falta?
- 1.500,00€ é muito dinheiro para toda a gente, acho. Mas, pelos vistos, precisas mais deles do que eu, por isso, pode ser.
É para te pagar! Estou a ver outras hipóteses mas, contigo, estou mais à vontade.
- Ok. Quando quiseres, diz alguma coisa.
...K, isto é muito sigiloso. Não queria que a tua Y nem o teu I saibam.
- Quando quiseres, diz-me alguma coisa.

Odeio que me atirem areia para os olhos e, normalmente, não pactuo com essas merdas mas há sempre excepções.
A única coisa que posso fazer com mentirosos é mandá-los foder e não fazer mais perguntas. A cada mentira, a merda só vai piorar e a única coisa que se vai ouvir são mentiras.

Como é bom de ver, reduzi a minha disponibilidade ao horário fora de expediente; coisa que nunca faria em outras circunstâncias porque caguei no horário de expediente;
Como se repara, além de qual é o problema não perguntei mais nada. A informação foi-me sendo transmitida sem que perguntasse nada e não pergunto nada quando não vou confiar na resposta;
Como se constata, não coloquei nenhuma questão quanto ao reembolso do dinheiro. Mais contacto custa-me muito mais do que o dinheiro.

Quanto ao dinheiro, perceba-se o seguinte:
Eu detesto emprestar dinheiro porque eu detesto dinheiro. 
O meu problema (e é um problema) com dinheiro é que ligo, directamente, a quantidade de dinheiro que tenho com a amplitude da minha liberdade e porque dou um enorme valor à minha liberdade tendo a não gastar dinheiro em coisas que apesar de mais tangíveis me são muito menos preciosas.

Então,
gente que me pede dinheiro emprestado porque quer jantar fora mais vezes ou gastar em putas ou comprar um carro ou seja o que for não tem muita sorte...e quase toda a gente que precisa de dinheiro emprestado é porque gasta onde não deve (anos e anos de experiência adquirida junto de pessoas que não têm muito dinheiro e que, ainda assim, o gastam em merdas).

É uma imensa parvoíce, para mim, emprestar dinheiro que me custa (mais ou menos) a ter para que outros usufruam da minha psicose em favor de bens e cenas que não considero importantes.
Ah, K, mas não és tu quem decide o que é importante! e a esta afirmação respondo com Se é com o meu dinheiro, não decido o caralho!!
Para que queiram decidir pelos vossos valores - como eu faço! - não fodam com a piça dos outros.

Sempre que emprestei/dei (dei muito mais vezes do que emprestei) dinheiro nunca perguntei para o que servia.
As únicas pessoas a quem emprestei/dei/ofereci dinheiro são pessoas em quem confio.
Não são pessoas em quem confio que me pagarão de volta - como disse, tenho mais facilidade em dar - mas pessoas em cujo discernimento confio; são pessoas que conheço e cuja vida não me é misteriosa; são pessoas que precisam ou precisaram para alguma coisa importante e, mais que isso, não tiveram necessidade de dinheiro porque foderam o delas em merda.

Então, por que acedi?
Há muitas razões para isso mas a principal é que, como disse, fica-me mais barato não fazer perguntas e nem recusar porque isso reduz a conversa.
Espero ardentemente - mas sem qualquer fundamento para achar que assim será - que me seja mandado o número da conta para fazer a transferência e pronto! Infelizmente, acho que ainda vou ter de papar mais uns minutos de histórias que não me interessam e mentiras que me irritam.

Puta que pariu a minha sorte.

Friday, August 18, 2017

TRUMP e os Nazis

O Trump foi intensamente massacrado por não se ter dignado a condenar, de forma veemente e conclusiva, os KKK e os Nazis (não sei por que se lhes chama neo) pelos problemas causados em Charlottsville; problemas aqui quer dizer atropelar muitos e matar alguns que foi o que realmente aconteceu.

O que disse, então, o Trump?
Parafraseando: não há aqui inocentes. Repugno o que aconteceu mas a culpa é de ambos os lados.
Por ambos os lados poderemos entender os de extrema-direita e todos os outros mas, segundo me parece, o que ele queria dizer era os da extrema-direita e os liberais.
Os outros queriam que fosse retirada uma estátua de um General dos Confederados;
Os da extrema direita não pretendiam aceitar que fosse retirada.

- neste ponto, estou tentado em dizer quem era o General e por que queriam que ele de lá saísse e a referir a comparação que o Trump fez entre o Lee e Washington mas não o vou fazer - 

O bom-senso diz-nos que quando um não quer, dois não fazem e, por esse lado, o Trump não está, necessariamente, errado;
Poderia dizer - por assim entender - que estes guerreiros pela justiça social são umas bestas e, por isso, os Nazis não estariam sozinhos na imbecilidade;
Não me deixa em polvorosa tentar ver as nuances envolvidas e, inclusive, a ideia que muito me irrita de querer fazer uma história revisionista.

Os problemas são estes:

O Argumento do Trump não é Sofisticado.
Não interessa ao Trump o que se faz ou diz desde que se apoie o que ELE pensa ou diz.
Isto é patológico mas é assim.
Os idiotas que andavam de suásticas disseram - pelo menos os poucos que ouvi - que estavam a lutar para implementar as ideias do Trump. Os idiotas que andavam de suásticas, depois da primeira reacção do Trump, vieram para as redes sociais (ADORO AS REDES SOCIAIS) regozijarem-se por não terem sido abertamente condenados pelo Presidente (li um ele ama-nos a todos).

Eu até admitiria que o Trump viesse dizer que a culpa é de ambos os lados se do outro lado estivessem comunistas porque muito pouco separa uns dos outros...mas não estavam e ele sabia que não estavam.

Para piorar este horrível lamaçal, o genro do Trump (o Rei Sol da Administração) não só é judeu. O genro é judeu ortodoxo. Não só o genro é judeu ortodoxo como, ele e a família, contribuem financeiramente para os colonatos israelitas.

É a puta da loucura, não é?
Adoro, ainda com mais intensidade, esta idade de pós-verdade que as redes sociais.

As ideias não enchem a barriga mas quando vemos onde nos leva a completa ausência de ideologia...

Não Estou Certo que o Trump Não Seja Racista.
Todas as evidências parecem indicar que o é: chama traficantes e violadores a quem vem de fora e abraça - ao não repudiar - o apoio de todo o grupo racista que lhe pisque o olho.
Pior: restarão poucas dúvidas que o Steve Banon seja qualquer coisa próximo do Nazi.

.....mas a realidade pode ser pior.

Como disse, não acho que o Trump seja coisa nenhuma que não um gajo imensamente complexado que gosta de quem gosta dele ou que gosta de quem diz que gosta dele.
Já o ouvi dizer isso mesmo: se disserem coisas boas sobre mim, digo coisas boas sobre essa pessoa.
Gengis Khan ou Mandela? Indiferente.
Idi Amin ou Malala? Sa foda.

Por que é pior?
Pá... é pior da mesma maneira que foi pior quando os militares tomaram conta dos morros no Rio de Janeiro.
Quando os morros foram tomados os bandidos foram para o asfalto, pelo que a zona de criminalidade circunscrita acabou nessa altura. Antes - e agora, novamente - era mais ou menos fácil andar seguro porque se sabia para onde não ir mas quando se disseminou...

Veja o exemplo da forma como foi tratada a ameaça da Coreia do Norte.
Os Norte Coreanos que nem uma puta de uma fisga de longo alcance conseguem fazer ameaçam os EUA e o Trump em vez de encolher os ombros, da mesma forma que um elefante encolhe os ombros a uma formiga, respondeu à ameaça dando à Coreia do Norte uma importância que ela não tem.

Para ilustrar:
Percebem?!

O quão pequena será a pila do Trump?

(ainda estou com vontade de cascar nos idiotas dos Nazis americanos porque é impossível - ok, excluindo, talvez, o Brasil - gente menos pura etnicamente mas estes camelos, por motivos impossíveis de perceber, pensam que o Hitler os pouparia.
Qual o tamanho da estupidez? É impossível determinar)

...e, depois de expelir veneno:

Wednesday, August 16, 2017

(Hoje até tinha o que dizer mas perdi-me)

Achei conveniente informar quem é a nova Directora de Comunicação da Casa Branca do Trump:



Eu sei que parece sexista (gaja boa e tal)...e é mas por parte do Trump.

Friday, August 11, 2017

DUAS PESSOAS

Pessoa I

A maioria de nós tem vontade de se enturmar e, julgo que também a maioria, apenas quer fazer parte de um grupo e sentir-se confortável.
Quando se está num meio pseudo-intelectual (licenciados e Drs. e merdas do tipo), há a tendência para o fazer com base em coisas especiais que não são do conhecimento geral (o facto de conhecermos dois camelos que batem num tambor e que são de Timbuktu faz o pessoal sentir-se cosmopolita e desenvolvido).

Por aqui aconteceu menos isso mas, infelizmente, o tema escolhido foi música.
Porque estamos numa era em que conhecer a superfície parece suficiente, quando se arranha a crosta e se afunda uns milímetros parece que estamos em descoberta mas, felizmente, ainda há gente que cava trincheiras.

Em música eu cavo trincheiras. Na verdade, cavo trincheiras em tudo o que me interessa.

Foi-me, então, falado do quão espectacular é uma determinada cena um bocado obscura mas era, para mim, bem clara porque é comercial.
Quando os assuntos me interessam, tendo a responder.
Quando respondo, por norma faço-o meramente para trocar impressões e mostrar cenas que me interessam;
Quando respondo, de vez em quando faço-o para esfregar na cara de gente que se julga conhecedora que mais não é do que um bocadinho mais do que uma anémona.

Neste caso, fi-lo só para mostrar cenas que me interessam e estou, até, em crer que foi entendido desta maneira mas o que aconteceu é que o assunto não foi mais tocado.

Ela percebeu que estava fora de pé e em vez de aprender a nadar preferiu voltar para terra firme.
Não levo a mal nem penso menos dela.
É só engraçado.

Pessoa II

Ontem conheci um gajo que do tipo que não me agrada.
Gente que fala muito aprende pouco e gente que se acha o maior pode estar certo ou errado ao ver-se dessa maneira mas a minha experiência pessoal é que só nos achamos incríveis quando não temos conhecimento do que o incrível é de facto.

Então,
este gajo falou de coisas interessantes mas em relação às quais percebe menos do que eu.
A maioria dos assuntos tocados, contudo, não me eram particularmente queridos, pelo que deixei o bonas julgar estar a iluminar a mesa com todas as palavras que ia soltando (fiquei orgulhoso de mim mesmo!).

Depois caiu no erro de andar demasiado para a frente porque foi apanhado numa curva.
Que curva?
Bem... nem o fiz por maldade (meia hora depois faria mas, como Popper, se soubesse o que não sabia já o saberia). Apenas teci um comentário contrário ao que o idiota dizia.
Talvez por se sentir diminuído - se não se sentiu, devia ter-se sentido - disse qualquer coisas como:
Oh C, não te imaginava assim com uma besta!
Isto não me caiu bem mas também não me caiu mal. O discurso usava este tipo de coloquialismos e, verdade seja dita, ser uma besta não me desagrada.

Algum tempo depois, quando revelava ser um paneleirote quando viajava (eu era para ter ido para o lugar X mas, lá, os gajos são os ciganos do País) respondi-lhe que era cauteloso mas que não me coibia de ir para lugar nenhum. Já estive em lugares supostamente perigosos e nunca lhes senti o perigo.

Foi então que:
Mas sozinho é uma coisa. Um gajo pode levar uns sopapos mas aguenta-se (não comentei que quem diz levar uns sopapos não sabe o que é apanhar na tromba). Quando se vai com a mulher, é diferente.
A mulher riu-se e eu respondi:
- Mais ou menos. Sabes, apesar de ser surpreendente a C estar com uma besta, isso tem as suas vantagens. As pessoas com juízo tendem a não querer chatear-me tanto no estrangeiro como no meu País como em restaurantes.

Isto não foi dito com agressividade porque não quis tornar a coisa pesada e preferi ver se o homem dos sopapos se iria refrear ao ver-me os dentes.
Refreou-se. A coisa acalmou.
Eu não dou sopapos e também não paro perante a eventualidade de sopapos.

Não tenho muita vontade de encontrar este gajo mais vezes porque - cheira-me - se a plateia for maior ele vai-se agigantar e eu serei menos complacente.

Se falasse menos teria aprendido mais.


Thursday, August 10, 2017


Michael Kenna

Wednesday, August 09, 2017

Por ser Um Todo e Não Uma Parte

Integrantes do Jantar em que participei, ontem:

1 e 2: Casal que teve uma filha há pouco tempo e, por isso, entende como muito interessante tudo que envolve a criança (está melhor que em tempos passados mas ainda não resolvido);
2: Gajo que tentou a mesma puta da mesma piada durante uma hora consecutiva na esperança que, por magia, ela passasse a funcionar;
3: Gorda com voz demasiado estridente e demasiado querida com toda a gente e a quem o Pai ligou 7 vezes durante o jantar. Não tendo o telefonema sido atendido, o Pai passou a ligar às outras pessoas que estavam à mesa;
4: Maneta com um toque de alcoólico que para compensar a deficiência exagera na vontade de demonstrar que o defeito não o incomoda;
5: Metrossexual (e chega!).

Não desgosto de nenhuma destas pessoas.
São gajos e gajas porreiras e simpáticas.
O facto de serem aquilo que descrevi não os torna apenas naquilo que descrevi.

Sou muitas vezes incompreendido quando teço comentários sobre pessoas. Comentários que, na minha óptica, apenas os descrevem e são objectivos; nada têm de valorização ou caracterização da personalidade ou da pessoa como um todo.

Não é porque gosto de alguém que ela deixa de ser parva. Gosto de uma pessoa parva. É só isso.

E porque sou um gajo impecável:

Tuesday, August 08, 2017

I

Não há muita coisa que me incomode no comportamento das pessoas. Não espero muito delas. 
Alguém fica desapontado quando um cão ladra? Pode incomodar mas ficar desapontado quando um cão se comporta como um cão é estúpido.
...infelizmente, em casos muito particulares, não sei se fico desapontado mas não encontro melhor palavra para descrever a coisa. E o meu desapontamento transforma-se, muito rapidamente, em raiva.

A maioria das vezes, a raiva passa-me mas na maioria das vezes para se transformar em indiferença.
Umas poucas vezes, dura mais tempo e dá em ressentimento. É muito mas muito raro eu ficar ressentido mas já deve ter acontecido...e, por não ter presente, deve, também, ter passado.
Quanto à indiferença, essa não tenho ideia de ter passado quando me encontra.

Deixa-me muito em estado de bala quando as pessoas porreiras pagam por serem porreiras.
Não é esquisito por ser tão comum mas a essa merda não me habituo.

II

- Tou?!
Hmm...olá...(voz trémula do outro lado da linha)
- Ahahahahah! Enganaste-te no número?!
Foi...Queria ligar para outro K...
- Não faz mal. Vá, vai lá à tua vida.
Ok...ainda assim, gostei de te ouvir.

K is Awsome!

III