Monday, December 09, 2019

Yeah, I´m a lucky man


Friday, December 06, 2019

Perder a Identidade

O título é dramático e a situação também pode ser.
A vez que, talvez, mais ouvimos este frase ou alguma sua parente refere-se à aparência;
A estrela de hollywood a quem a idade rouba a beleza, beleza que era Ela.
O pugilista que sofre de uma qualquer doença degenerativa que o faz uma sobra daquilo que foi porque a sua capacidade de partir bocas era Ele.
O jogador de futebol a quem os joelhos abandonam e tornam as suas fintas uma caricatura do que foram, fintas que eram Ele.

Estes casos são mais fáceis porque visíveis e, normalmente, afectam alguém que sabemos quem é.

Há quem pense a crise de meia idade como uma crise de identidade que, de facto, pode ser mas não tem de ser; na minha opinião, de resto, a crise de meia idade não apoquenta, as mais das vezes, a identidade mas antes a contagem dos minutos que se seguem e que são, agora, menos do que os que passaram.
Parece-me mais um confronto com a mortalidade que era abstracta meia dúzia de anos antes.

Aquilo que mais me interessa é a diferença entre perder a identidade e mudar a identidade. Perder e mudar, neste contexto, são perigosa e tristemente próximas de sinónimos.

Todos estamos agarrados a uma determinada ideia de nós. Todos nós achamos que uma determinada característica ou um determinado conjunto de características nos define. E muitas delas ou a sua maioria nem sequer são visíveis (se tivermos sorte e não pensarmos na ausência de rugas como algo verdadeiramente importante!).
...e é difícil vermos essas características escapar-nos.

Eu, por exemplo, comecei a ficar irritado por achar que estou a amolecer.
Reparem: eu amolecer não faz de mim mole mas faz de mim mais mole do que o que já fui.
O acumular de dias e de livros e de experiência tornou a minha empatia mais presente e a empatia é um paralisante, se não tivermos cuidado com ela.
A minha óptica quanto a como ultrapassar este torpor não mudou: é óptimo entender para se tentar evitar futuros erros mas esse erro, o que aconteceu, merece ser castigado e mais nada. Este gajo ainda sou (percebem porque disse que estou mais mole mas não mole?)

Passei a ponderar se isto ou aquilo merecem esforço de desforra e, a maioria esmagadora das vezes, continuo a achar que sim mas, agora, pondero e demoro mais tempo.

A Lei de Talião era uma parte importante e muito definitiva da minha identidade e o seu esbatimento ou, pelo menos, a menor velocidade de aplicação foi (acho que ainda é) um problema.
...ainda assim, era uma parte importante mas não a mais importante e, se quisesse pensar seriamente nisso, talvez não estivesse no top 3.

Talvez o mais relevante daquilo que penso sobre mim é que sou Livre.
Não uma liberdade a resvalar para o irreal mas uma liberdade de pés na terra.
Poder despedir-me, se quiser;
Poder apanhar um comboio e zarpar, se quiser;
Poder comprar uma garrafa de champagne, se quiser;
Poder deitar-me às 6 da manhã, se quiser;
Poder levantar-me às 3 da manhã, se quiser;
Poder não atender o telefone, se quiser;
Poder não falar, se quiser;
Poder dizer pós caralho independentemente do interlocutor, se quiser...e por aí fora.

Como disse, realista e, por isso, acrescento que não é fazer nenhuma destas coisas que me satisfaz; o que me preenche é poder fazer se me der vontade.

E estou a ver tudo isto ir com o caralho.

PARTE II DA COISA

O momento é difícil mas não é novo.
Sempre que tive um relacionamento sério, por exemplo, deparei-me com uma situação semelhante: a minha vida é mais livre, sozinho. E eu sempre apreciei essa liberdade. E é por isso que os meus relacionamentos não enchem uma mão.
Em todos os relacionamentos sérios que tive, decidi comprimir esta minha liberdade e esta minha característica em troca de ter o que me pareceu merecer este sacrifício.

A minha vida ficou mais difícil, em todos os casos;
A minha vida ficou melhor, em todos os casos.

Aquilo com o que me deparo, agora, será mais determinante e mais restritivo.
E é-me impossível não temer perder o K que sempre conheci e tornar-me numa outra letra do alfabeto. E eu gosto muito da minha letra.
Não estou paralisado. Eu não paraliso. Isso - graças a todas as divindades!!! - não mudou.
Não estou, sequer, triste.
Mas esta perspectiva deixa-me tenso.

Não deixaria toda a gente?!

PARTE III DA COISA

Estava a pensar na seca que são a maioria dos reencontros que tenho tido com as pessoas que partilharam comigo a sua juventude.
Não tenho paciência para as recordações de há 20 anos que parecem ser de ontem.
O tempo passou e o passado é isso mesmo: passado.
Obviamente, falo de coisas passadas sem achar chato mas tem de ser pontual e engraçado. O presente interessa-me mais.

Eu já não sou o mesmo gajo que era há 20 anos.

...e talvez o mais justo seja pensar na identidade como modificada mas não perdida.
É um bocado estúpido pensar-se na identidade como perene ao mesmo tempo que a pessoa é outra.
Talvez dizer outra seja um bocado excessivo mas entre a mesma e outra o outra ganha destacado!

O que quero - e quero tanto por sanidade como por realidade - é dizer-vos e dizer-me que não faz bem estarmos a pensar no passado como sempre recente. Não é bom achar que o melhor já passou porque - excluindo casos extremos e questões de índole física - eu sou hoje mais interessante e mais inteligente do que era antes; eu sei mais coisas; eu sou mais completo.

Não sou um homem saudoso e nunca fui.
Se quiserem pensar, por exemplo, nos meus relacionamentos passados, não olho para eles a pensar aquilo poderia ter dado certo se... Não quero com isto dizer que nunca tive momentos de fraqueza em que o fiz; houve alturas chatas em que achei que talvez a remota solucionasse alguma coisa.
Foram momentos de fraqueza e nunca acreditei realmente nisso.

Também sou de carne e osso.

Bem, isto vai longo e é provável que me tenha perdido a dada altura.

Eu sou outro.
A minha identidade não pode ser a mesma.
(repetira duas mil vezes por dia)

Friday, November 22, 2019

Duas Pessoas

1 Pessoa

Hoje estive a falar com um gajo com quem não tenho por hábito falar muito.
Nada tenho contra ele, além de o achar um bocado chato e demasiado sabichão para o seu próprio bem.
De há uns tempos para cá, parece-me estar melhor ou, pelo menos, comigo tenta debitar menos factos que o não são e que, por isso, me forçam a responder.

Hoje, estava a contar-me que X funcionava mal e que tinha dito isso ao Y, por ser a correia de distribuição entre ele e quem decide.
Em resumo, disse-lhe que:
1. o pessoal que decide, como todos nós, tem uma determinada formação e é com base nessa formação que toma decisões. Ser-lhes-à sempre muito difícil - como a todos - entender e empreender uma projecto diferente porque não o entende como deveria entender;
2. à gaja que serve de corrente de transmissão disse-lhe pior; disse-lhe que era uma ilusão achar que ela iria dizer a quem decide precisamos de outra pessoa para fazer, pelo menos, parte disto porque, para ela, isso seria assumir incompetência, apesar de não ser isso que lhe foi dito.

Podia discorrer sobre mais coisas que disse para parecer um génio mas, na verdade, não foi daqui que retirei o interesse da coisa; não foi por ele ficar impressionado com o que eu vejo e o que eu sei.
Não.
O que foi interessante foi isto:
Achas que não consigo ver isso porque sou muito novo?
Dúvida legítima e perfeitamente plausível mas foi o assumir de uma limitação ou, até, de uma diminuição intelectual quando comparado comigo.
...mas achei honesto e verdadeiro.
Aprecio gente que coloca questões quanto a si mesmo sem embaraço (sem prescindir de se ter arrependido, depois).

Só para não ficar no ar:
disse-lhe que não sabia mas era possível.
Expliquei-lhe que eu só comecei a ler realmente a partir dos 30, apesar de parecer - quando comparado com o meio - que li todos os livros do Mundo.
É difícil responder se é só por causa da idade.
Tem que ver com personalidade, também. E com interesse. E com esforço.

2 Pessoa

Outro, hoje, disse-me que apreciava a minha postura porque te estás a cagar e fazes o que queres.
Pensou ser um elogio, porque visto de fora é super romântico.

Honesto, porque sou, respondi-lhe que ele também podia ser assim, se estivesse numa de pagar os custos que isso acarretam.
É como apreciar a admirar os heróis de Guerra: eu também admiro mas apetece-te morrer ou ficar amputado?

Acho que se devia admirar o que se almeja e não o que se acha super cool.
...e o que se almeja é sobreviver e eu admiro quem, dentro de determinados limites, faz o que tem a fazer para sobreviver.

Tuesday, November 19, 2019

Ilusão e Moral

Lamento as minhas limitações e lamento, ainda mais, os meus erros.
Obviamente, considero que, como todos, sou sujeito ao erro mas chateia-me pra caralho.

Não sou aquilo a que se chama detail oriented.
Há mais do que um motivo para isso.
Considero chato;
Acho uma panisguice;
Demora demasiado tempo;
As mais das vezes é inútil.
Resumindo, não se coaduna nem com o meu temperamento nem com o que considero ser mais relevante em geral: o Resultado.

Feito é melhor do que perfeito, sempre!

...mas isto tem as suas consequências.
Se não me conhecerem tão bem como devem, é fácil encontrar uma qualquer coisa que esteja menos bem feita do que devia e extrapolar; essa extrapolação não estará necessariamente errada mas é muito limitada.
Se se perguntar a quem quer que seja se prefere 100% de uma coisa feita a 90% ou 45% dessa mesma coisa feita a 100% não estou a ver quem preferisse a segunda (por facilidade de raciocínio e exposição não me debruçarei sobre o fenómeno dos Cisnes Negros; quer porque não podemos reger toda a nossa existência por eles quer porque estaria a exigir um conhecimento que a maioria não conhece, pelo que não o usaria como argumento).

E aqui entra a Ilusão:
uma pessoa que conviva comigo há algum tempo terá a noção quer da minha competência quer do meu intelecto.
Essa mesma pessoa avaliará se tanto uma coisa como a outra existe em mais quantidade nela ou em mim e, mediante essa análise, decidirá o tipo de reparos que me há-de ou pode fazer.

Infelizmente, nem toda a gente percebe a questão probabilística. Alguns acham que o lapso que encontrou é inaceitável porque desconhece o resultado prático do volume.
E porque assim é, não parte do princípio que a ausência de atenção ao detalhe é uma questão estratégica e não, necessariamente, de displicência ou desconhecimento.
E porque parte deste princípio, no caso concreto não é capaz de entender que não presto atenção ao detalhe porque não quero e não porque não consigo...
...e quando eu começo a ser o picuinhas que detesto ser, não é bom para ninguém...

E aqui entra a Moral:
Não preciso de gostar particularmente de alguém para evitar dificultar-lhe a vida.
Sou capaz de chamar penedo a alguém na brincadeira mas incapaz de esfregar as suas limitações na cara (admitindo que pode acontecer involuntariamente mas é sempre involuntariamente, nestes casos).
É por isso que, tanto em questões pessoais como profissionais, opto por conversas, quer escritas quer faladas, particulares e não públicas.

...mas não boa ideia fazer-me isso a mim.
A tentativa de mostrar, em público e em aberto, que se me é superior pode correr bem ou correr mal a quem o faz mas não fica de borla.
Não aprecio a Soberba mas não sou mal a vesti-la.

Se eu levar a mal, a resposta chegará.
E só para que fique claro: é óbvio que há gente mais esperta e mais competente do que eu. Óbvio!
Sei disso e assumo-o mas mesmo estes terão de provar que são isso depois de me provocar.
...e, felizmente, não fui esquecido quando o pessoal andou a distribuir neurónios.

E, depois, dá nisto: opiniões não solicitadas por desnecessárias são respondidas com o fundamento que desconheciam mas que estava lá; posições assumidas terão de ser retratadas porque eram parvas e, agora, todos sabem; e a tentativa de subir a montanha torna-se na descoberta de um vale.

Por norma, dói-me muito achar que estou a ser injusto desnecessariamente.
Se me justificarem o orgulho, contudo, a minha consciência nem sequer dá sinal de vida.

Let´s face it!


Tuesday, November 12, 2019

CHEGA do Ventura

Houve uma grande indignação porque os portugueses elegeram o André Ventura. Quer dizer...houve uma indignação por parte das pessoas que andam a perorar pelas TVs e pelos jornais.
Não nutro nenhuma simpatia pelo André Ventura. O que ouvi, tanto na qualidade de candidato como de comentador desportivo, causou-me alguma náusea e lamento que tenha arranjado lugar no Parlamento.

...sem prescindir que a companhia no Parlamento não é grande coisa. Não destoa quase nada....

Mas vim para aqui falar mal do Ventura?
Não.
O Ventura serve-me para isto:


Não vi ninguém verdadeiramente indignado com isto...
A globalização capitalista que lhe sucedeu (ao tombo do Comunismo!) tornou o mundo mais oprimido, mais injusto, mais inseguro
...do que o Comunismo soviético?!

Caros, o que eu sei do Ventura e o que eu sei dos Comunistas faz-me crer, sem um único momento de dúvida, que quem anda deslocado num Parlamento e numa Democracia não é o Ventura.
Ok, posso estar enganado. O Ventura pode ser um agressivo fascista (que não o que muita gente chama de fascista mas um fascista a sério!). Se é, não sei.
O que eu e toda a gente sabe é que os Comunistas - todos e em todo o lado, incluindo em Portugal onde - felizmente - falharam o plano - nunca foram amigos e nem conhecidos da Democracia.

Na altura em que até o PC Soviético denunciou o terror estalinista, o PC de cá criticou a denúncia;
Quando Tiananmen estava a ser transitado por tanques e estudantes, o PC de cá nem piou;
Quando a Coreia do Norte tem campos de concentração comprovadamente, o PC de cá enterra a cabeça na areia;
Quando a China decide carregar no pessoal de Hong Kong porque se manifestam, o PC não encontra Hong Kong no mapa.

E esta gente critica o Ventura?!

Alguém me diz qual o país Comunista que permite a greve?!
Alguém de braço no ar?!

...e voltemos ao Ventura:

O nosso mundo mediático está cravado por uma esquerda. Nem sei se uma esquerda. Hoje em dia é muito difícil distinguir a esquerda de uma onda de suposto progressistas. 
Bem,
está cheio de gente que se indigna contra aquilo que lhe parece bem ou aceitável indignar-se.
Eu indigno-me sempre que vejo um Comunista a dizer Democracia.

O Ventura, está do outro lado da barricada.
Direita é uma palavra maldita em Portugal.
Comunista até direito de antena tem.

...como pode alguém votar nesta gente?!
O acto de ser poder votar é a negação da cartilha daqueles gajos...

Monday, November 11, 2019

Bonnie, BITCHES!


Saturday, November 09, 2019

Todos Iguais

As minhas afirmações tendem a ser absolutas mas apenas por uma questão de ênfase.
Quando digo que toda a gente é igual refiro-me a comportamentos que me parecem transversais e cujas excepções são meros erros estatísticos e erros estatísticos não merecem tornar uma frase menos incisiva.

Por exemplo: eu não me dou bem com sextas-feiras mas sou, da minha experiência pessoal, um erro estatístico porque toda a gente adora sextas-feiras.
Percebem-me?

Dito tudo isto, sou capaz de detectar as excepções mas, com muita dor à mistura, não acerto sempre. Acerto a esmagadora maioria das vezes mas não sempre.
Não aprecio.

Há um gajo que trabalha comigo e com quem me dou realmente bem. É um encontro improvável de pessoas. Ele não foi abençoado com muitos neurónios. Não sabe nada das coisas que mais me interessam. É um faccioso benfiquista.
Aprecio, contudo, o facto de ser honesto e simples.
...infelizmente, por ter o tipo de limitações que descrevi, às vezes acha que diz a verdade mas não é o caso. Não está a mentir. Só não entende que o que está a dizer não corresponde à realidade porque vive dentro da sua confusa cabeça em que dizer é o mesmo que reproduzir a realidade.

Ora, nunca ouvi este gajo falar mal de ninguém. Quando digo falar mal não me refiro a denegrir mas apenas constatar factos. Há gente que é incompetente: nunca o disse. Há gente que é burra: nunca o disse. Há gente que cheira mal: nunca o disse.
É daquelas pessoas que não sabe porque nunca trabalhou ou bem, há pessoas que trabalham melhor mas assumir as palavras pelo que realmente são, nunca.
(seria mais um factor para não me dar bem com ele mas...).

Desde há umas duas semanas comecei a ouvi-lo falar mal de duas pessoas. A queixar-se de que não fazem o que deviam e que tem de andar sempre em cima delas.
Eu conheço essas pessoas. Ele não está enganado.

Contexto:
Ele e eu fazíamos parte da mesma equipa e a restante equipa eram essas duas pessoas. 
A equipa, neste moldes, durou uns oito meses e desmembrou porque eu saí e entrou outra pessoa.
Durante estes oito meses nunca o ouvi queixar-se delas. 
O que mudou?
Eu percebi mas não queria acreditar.

As equipas têm um determinado número global para atingir e este número global é decomposto em números individuais.
Se um indivíduo atingir um número, atinge o seu objectivo;
Se todos os indivíduos atingirem o seu número, a equipa atinge o seu objectivo;
Se nem todos os indivíduos atingirem o seu número mas um deles o superar o suficiente, a equipa atinge o seu objectivo.

Este equipa - a minha antiga equipa - nunca esteve dois meses sem atingir o seu objectivo e este gajo de quem vos falo apenas atinge o número dele se o número da equipa for atingido...e está há dois meses a seco, por isso.
Eu saí há dois meses.
Eles não cumprem há dois meses.

Enquanto ele me contava o que o apoquentava, disse-lhe:
Pá, não é possível que elas tenham passado a ser incompetentes agora. Já eram antes, só que como tu ias comendo, estavas-te a cagar.
Enquanto os meus números compensaram a ausência dos números delas, era que se foda...agora...

Não achei que isto fosse acontecer mas aconteceu.
Doeu-lhe no bolso e quando lhe doeu no bolso começou a ver a realidade à volta dele.

Não acho bonito.
Acho Humano.
São todos iguais.