Saturday, January 17, 2015

CHARLIE

Quando vi o que tinha acontecido, pensei espero que os gajos não interrompam as publicações e carreguem no motivo que levou a levarem uns tiros e, felizmente, foi o que aconteceu.
Não sei se teria coragem, pessoalmente, para o fazer mas era o que devia ser feito. Palmas para eles. Não se negoceia com terroristas - princípio que utilizo no meu dia-a-dia de forma metafórica mas solene.

O que me chateia mais - além das mortes, evidentemente - é que os terroristas conseguiram o que querem. Na verdade, costumam conseguir.
Publicidade aos montes, terror generalizado, caças ao homem, medidas de prevenção nas imigrações e um clima de estado de vigília em países como a Bélgica! Há uns anos, Bin Laden disse qualquer coisa como matar o monstro com milhares de cortes de papel e é isso que é feito; meia dúzia de idiotas sem expressão no plano macro que influenciam exponencialmente a vida de todos.

Tentando ser mais objectivo do que subjectivo, deixem que vos diga que somos todos, enquanto sociedade, demasiado sensíveis. É verdade que é horrível ver alguém ser assassinado mas, em essência, não é diferente de não ver.
O que quero dizer com isto?
Não pode uma nação vergar-se porque lhes matam meia dúzia de pessoas, ou mesmo quando lhes mandam umas torres abaixo. Não pode a reacção ser histérica. Neste momento nenhuma nação europeia ou do mundo desenvolvido irá ser conquistada por idiotas de AK ou facas. Eles são nada e não podem ser tratados como alguma coisa e muito menos como muita coisa.

Quanto custa esta guerra contra o terrorismo? É aqui que vão acabar com o Ocidente e não com meia dúzia de foguetes.
Quanta insegurança consegue granjear esta demonstração de coisa nenhuma? Vamos passar a ter medo de um moreno ou morena que passe por nós na rua? Não devíamos.

É preciso caçá-los. É.
É preciso esmagá-los. É.
Mas que preço estamos dispostos a pagar?

Somos demasiados sensíveis, hoje em dia. Temos demasiada cobertura mediática. Não aceitamos que em guerra não morrem apenas os maus. Imaginamos um lugar que não existe e fortalecemos o que não queríamos que existisse.

Como se combate, mesmo, estas coisas?
Vai-se trabalhar no dia seguinte e jantar depois.
Publica-se um cartoon nos moldes que começaram a histeria, porque vocês não mandam em nós.

Não se pode descurar a seguranças mas se a exacerbamos caímos naquilo que querem que caiamos: um Estado policial - por motivação diversa mas ainda assim policial - e respiramos em medo.
Não.
Fodam-se!
Eu vou sair na mesma medida em que o fazia antes e, se possível, a pecar mais - algo que tento com a frequência que consigo.
Não mandam em mim!
Não me vergam apesar de me poderem quebrar!

A IMAGINAÇÃO DE QUEM NÃO VIVE

Há uns dias, mandaram-me um E-mail com um daqueles textos parvos que revelam que as pessoas querem viver a vida ao máximo! Querem o extraordinário! Querem sentir-se estimuladas e sem amarras!
Um carpe diem com mais linhas. E estas duas palavras já me irritam.

Sem usar de nenhuma modéstia - coisa que me cai mal e aperta-me nas curvas, tendo trocado por realismo - eu sou mais ou menos o que muitas das outras pessoas pensam que querem ser. Eu não me dou bem com a mediania, e muito menos com a mediocridade, nem com o morno. Por coisas deste tipo, que são visíveis por quem me conhece, torna-se relativamente fácil admirar-me como se torna fácil admirar gente que não gosta de compromisso mas apenas de situações de soma zero...para um dos envolvidos nas situações.

Para cada ai, gostava de ser mais como tu costumo responder que ando há anos a tentar ser menos como eu. A ideia romântica de um gajo iconoclasta é bonita e atraente mas tem uma factura muito pesada.
A vida é feita de compromissos e uma boa vida, pelo menos a que vejo como agradável, é comprometida. Às vezes é preciso contemporizar. Às vezes é preciso ser mais complacente. Às vezes é preciso engolir uns sapos...e eu nunca aprendi a fazer esse tipo de coisas.
É emocionante, sim, como saltar de paraquedas e ele não abrir.

Então,
respondi uma coisa muito dentro deste tipo a quem me mandou o E-mail.
É tudo muito bonito mas são esses mesmos gajos - eu - que ficam e são obcecados com quase tudo. São esses gajos que trabalham 14 horas por dia e são chamados de malucos. São esses gajos a quem apenas tem de ser dito não estou feliz para desaparecerem sem nunca mais darem à costa. São estes gajo que não reduzem a velocidade porque acham que vão furar a parede, o que raramente se revela ser verdade. São estes gajos que não toleram coisas chatas e por isso vivem muito mais sozinhos. São estes gajos que se fodem, heroicamente, claro, quando outros evitam a exposição.

É bonito visto de fora, concordo.
Visto de dentro é menos agradável e romântico.

Então, por que não mudam estes gajos para melhor se adaptarem ao que os rodeia?
A resposta simples é que normalmente não conseguem. E vão de parede em parede porque é muito mais impressionante conseguir uma vez do que falhar 10 quando os outros não tentam por ser impossível.

OI?!

Há uma miúda - há sempre uma miúda - que não percebeu, ainda, exactamente onde se meteu.
Como a maioria das mulheres - julgo eu - acreditam que vêm mais do que a vista alcança; acham que vão mudar o gajo e que ele só é assim porque tem medo ou está traumatizado ou coisa do género.

Pois bem:
esta em concreto tem uma ideia muito parecida a meu respeito. Acha que eu tenho medo que as pessoas se aproximem demasiado de mim e que eu só pareço um animal que, na realidade, não sou.
Ela não está errada quando à conclusão, está apenas enganada quanto às permissas.

Eu, de facto, não sou o animal que pareço; ou melhor; eu pareço mais animal do que aquilo que realmente sou porque as pessoas têm uma ideia pré-concebida do que é uma coisa e do que é outra.
Eu não tenho medo que se aproximem demasiado, eu só não gosto assim tanto de pessoas porque a maioria é desinteressante;
Eu não sou - que eu saiba - traumatizado com nada. Para se honesto, acho que sempre tive muita sorte com as mulheres. Sempre me trataram muito bem e, sem querer parecer modesto porque não sou, melhor do que eu merecia.
Eu não faço género, eu não papo é chaços.

Vejam a onde chega a vontade de se ver o que se quer quando se tem interesse em alguém:
durante 90% do tempo que esta mulher convive comigo eu sou, de facto, aquilo a que os outros poem chamar de animal: não tenho paciência para parvoíces e perdas de tempo e deixo-o claro, não tenho vontade de entrar nas politiquices e deixo-o claro, não tenho tempo para gente desinteressante e deixo-o claro.
Tudo isto é verdade. Não é imaginado. Acontece!
durante os restantes 10% não sou particularmente querido mas a diferença é tão grande que parece.
Poderiam pensar que é porque a quero comer mas não é (apesar de a querer comer, claro). É porque ela tem graça e diverte-me. Faz-me rir e isso pode ser pouco para muitos mas é muito para mim.
É impossível de transmitir a muitos a importância que tem quem me pode dar o que tenho dificuldade em encontrar e quando isso acontece sou muito grato e demonstro-o.

A facilidade que tenho em bater e em beijar faz imaginar que uma das coisas é falsa, algo que compreendo com facilidade.
Mas o que se dá no caso é que não tenho vontade de esconder nem uma coisa nem outra. São ambos a mesma coisa: por uma lado chateia-me e por outro agrada-me e são tratados com a mesma intensidade.

O que ela devia pensar - e ficar contente - é que porque lhe sou grato ela tem um lugar especial; não por estar apaixonado - que não estou - mas porque me é muito querido darem-me o que eu preciso.
Ela não devia ver o que não há nem imaginar que vai mudar em mim alguma coisa.

Há uns dias, estávamos a falar e eu estava com um ar arrasado porque estava mesmo muito cansado. Ao ver-me assim, perguntou-me porque não trabalhas menos? As outras pessoas não trabalham o mesmo que tu! Isso não te faz bem... ao que respondi ...não faço diferente porque não consigo...
Ela não percebe isto...

Eu sinto-me mais vezes burro do que inteligente porque não consigo alterar o que devia e precisava de ser alterado.
É impossível que quem está de fora perceba que eu não consigo fazer menos se achar que devo fazere mais, sendo que o inverso também é verdadeiro.

É perigoso gostar-se de mim romanticamente.
É muito bom. É muito intenso. É único...se se quiser o que eu tenho para oferecer, porque do pouco que tenho tenho em abundância.
O problema é que dura pouco.

O que eu gosto é de foder e não de fazer amor.

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