Wednesday, October 23, 2013

A Tempestade Perfeita

ATempestade Perfeita é um termo mítico que alude à junção de determinadas condições climatéricas que criam uma cena muito violenta no oceano.
Mais correntemente é uma expressão metafórica utilizada para quase todo o tipo de situações em que as condições se juntam para dar um resultado tenebroso.

Quando olhamos para ontem torna-se evidente o que se precisa para que um qualquer tipo, de forma mais ou menos independente, tome as rédeas do poder e as não partilhe com ninguém. Foi assim com todas as figuras ditatoriais históricas quer elas fossem mais ou menos brilhantes, quer elas tenham tomado o poder de forma planeada ou mais acidental. Sim, às vezes é só preciso estar no lugar certo à hora exacta.
O problema disto é que, como na maioria dos eventos históricos que se repetem ciclicamente, é que quando se está no meio deles é muito difícil perceber que se lá está. Pensem naqueles quadros construídos como pontos que não conseguimos relacionar ao perto mas quando olhados de longe demonstram o padrão pretendido.

Dentro de muitas das condicionantes necessárias, a mais importante é o sentimento de se estar engaiolado; aquele sentimento de desnorte que, coloquialmente, podemos apelidar de falta de fé.
Eu, quando praticava desporto de forma quase profissional, levava pancada de meia noite mas sujeitava-me àquilo porque queria ganhar e o custo de ganhar eram umas escoriações e um niquinho de sangue, às vezes. Não me importava de sofrer porque a coisa tinha um objectivo e quando o objectivo era atingido tudo valia a pena. Mas mesmo quando não se atingia o objectivo ele estava lá, era possível, por isso valia, novamente, a pena passar por tudo outra vez para.

Quando não se sabe para que se apanha é que a coisa é pior. O desconhecimento do porquê de se estar a sangrar e a levar socos e pontapés torna inevitável que não se queira passar por este tipo de provações. Afinal, é pior do que masoquismo porque, dizem-me, a dor infligida no masoquismo torna-se prazer e para se sentir prazer vale a pena.
O problema é querer, por exemplo, que eu que não gosto de levar chicotadas as continue a apanhar apenas porque sim. E porque sim não me serve.

É por isso que a Le Pen e os Auroras Douradas desta vida começam a ter o peso que nunca mereceram.
É natural que as pessoas queiram alijar as suas culpas nos outros (como ciganos ou imigrantes) porque estão cansados de apanhar e enquanto o pau vai e vem... É, ainda, natural que quem não tem, de facto, culpa no seu sofrimento feche os olhos e vá atrás de quem promete o fim das escuriações mesmo quando, em outras circunstância, seriam capazes de ver ao longe que tal não era possível e que a magia não existe.
Só quem nunca sofreu uma dor a sério (mesmo física, sem qualquer alusão metafórica) é incapaz de entender que esta tolhe, violentamente, o raciocínio.

É em momentos destes que se pede o quase impossível e em que este quase impossível se torna premente:
Temos de ser racionais, temos de estar de olhos abertos e saber que, as mais das vezes, o que parece ser bom demais para ser verdade normalmente é mesmo...bom demais para ser verdade.
Temos de juntar os pontos, temos de andar um bocado para trás porque, como nos ensinaram as gerações anteriores, as mentiras têm pernas curtas e a realidade abata-se como um trovão! 

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