Saturday, November 16, 2013

Um RESUMO

Tenho estado a leste, por uma conjugação que me é muito familiar: uma coisa evidentemente boa que me faz pensar em todas as consequências, potencias e imaginárias, reais e eventuais, que podem tornar esta coisa boa numa coisa má.
Há uns anos, acho que já o escrevi por aqui mais do que uma vez, uma namorada minha disse-me que só me via feliz um bocadinho antes, durante e um bocadinho depois.
Tinha razão.
Então, um resuminho sem ordem de importância em particular:

ÁLVARO CUNHAL
Há uns dias festejou-se o 100º aniversário de Cunhal.
À partida, faz-me confusão festejar a data de nascimento de um morto mas como me fez menos confusão quando se festejou a do Vinicius...partirei do princípio que é o meu asco a Cunhal e acólitos que me irritou mais.

Então:
O aniversário de Cunhal foi televisionado. Tive vergonha.
Cunhal foi descrito, naturalmente pelos seus acólitos mas com um ensurdecedor silêncio de todos os outros que ouviram esta mentira, como um guerreiro da democracia e como um dos seus pais fundadores em Portugal. Não seria mau não se desse o caso de ser MENTIRA!
Cunhal NÃO lutou contra Salazar por conta da Democracia. Ele dizia isso, como aliás ainda o dizem os acólitos, mas NÃO é isso que querem. Cunhal queria URSS. E URSS é um milhar de milhão de vezes pior do que qualquer Estado Novo. Os acólitos de hoje também enchem a boca com Democracia e Constituição mas eles NÃO a querem.
Falem-me de um Estado Comunista (e ainda os há!) em que Democracia queira dizer alguma coisa e em que a Constituição, quando a há, vale o que quer que seja.

Álvaro Cunhal, pouco tempo depois dos chineses varrerem gente numa praça à pala de tanques veio dizer que se devia fazer o que fosse necessário para segurar o Estado Chinês.
Democracia.
Devia de haver vergonha na cara!

CASA DA MÚSICA
Há uns dias fui ver o concerto do vocalista dos Echo anda The Bunnymen (acho que é assim que se escreve).
Fui à pala, por isso fui, e não foi nem bom nem mau.
Porque é, então, relevante?
Bem: durante uma das músicas havia um gajo (UM) que estava a bater palmas a destempo. Completamente a destempo. Estava a irritar-me muito e, durante a música, o gajo que cantava levantou a mão, parando de tocar guitarra. O gajo está a dizer ao que bate palmas "cala-te, caralho!! disse eu à minha amiga e ela desconsiderou.
Quando a música acabou, o gajo que canta diz qualquer coisa como isto: eh pá! vamos parar com o caralho das palmas assim (e exemplificou). Foda-se, isso lá é maneira de bater palmas?!
Eu tinha razão, foi por isso que ele levantou a mão.
Ri-me como já não me ria há muito tempo em qualquer circunstância.
Valeu a pena só por isto!

ESOTERISMO
Será que as pessoas mudam?
É uma discussão milenar em que uns defendem que sim e outros defendem que não.
Eu, pessoalmente, tendia para o sim no sentido em que quando alguém sofre um qualquer trauma ou tem uma experiência verdadeiramente marcante não tem como não ser afectado.
Parece-me que estava enganado...
O House (um dos meus filósofos favoritos) quando lhe perguntaram como é possível que estar às portas da morte não tinha mudado um determinado paciente, respondeu que Morrer muda tudo, Quase morrer não muda nada! Acho que tem razão.

Eu achava que tinha mudado. Estava convicto disso! Foi tempo a mais a ser outro para não o ter assumido e voltar a ser o antes.
Não quero dizer que estava enganado... mas lamentavelmente talvez estivesse. Ainda estou a lutar contra isso mas não sei...
Há um filme com o Ben Afleck (eu sei, ânsia de vómito mas aguentem) em que ele era um gajo com poder e bem sucedido. Depois perde a mulher e cola o pistão. Depois perde o emprego, o sucesso e o poder que tinha e passa a ser mais como todas as outras pessoas que são menos bem sucedidas e têm menos dinheiro.
Depois, conhece uma fêmea e apaixona-se por ela. Depois fica com ela enquanto tem o emprego mais medíocre do que o anterior e posses menos possantes do que o anterior.
Depois, volta a recuperar a posição que tinha tido e passou a ser, novamente, a pessoa que tinha sido... quando pensava que já não o seria.

No filme que descrevi, naturalmente que ele, depois de um conflito interno, prefere a vida mais simples e a fêmea e todas essas cenas. Esta parte parece-me irreal mas a anterior, pelo contrário, é bem real.
Com um pequeno impulso voltamos ao que eramos. O que nem é mau se é passado fazia de nós melhores mas quando assim não é...

O que me deixa muito tenso é a consciência.
Se eu não soubesse ou não me importasse de voltar a ser, tudo estaria bem no reino do Dragão.
Não é o caso.
Eu era coisas que não quero voltar a ser mas vejo-as surgir e tomar vida própria.
Eu não quero mas não estou a conseguir evitar.
Não sei como isto vai acabar mas não quero ser a besta sem pai nem mãe que já fui.

Friday, November 01, 2013

É chocante vermos documentários e, por vezes, filmes que nos revelam que pessoas sujeitas a traumas profundos, como sequestros e abusos de outro tipo, ficam agradecidos quando as pessoas que lhes inflingem o sofrimento deixam de o fazer.
Por exemplo, levam tanto na tromba que quando a mão ou o pau deixam de cair ficam naquele limiar em que não conseguimos distinguir, à primeira vista, se é felicidade ou alívio.
Por exemplo, dizem-lhes tantas vezes que são horríveis e burros que quando lhes transmitem que aquela roupa não lhes fica assim tão mal... sentem que estão a ser elogiados e ficam agradecidos.

É doloroso de ver como se desfaz alguém e como esse desfazer torna vulneráveis aqueles que são desfeitos.
Há gente que não tem a menor possibilidade ser feliz e que nem sabe o que é felicidade.

PIONEERS GET SLAUGHTERED AND SETTLERS PROSPER

Há uns tempos ouvi esta afirmação e ficou-me gravada no cérebro.
Como todas as regras da vida não é absoluta mas talvez se enquadre na maioria. Não faltam exemplos históricos de gente que teve razão antes do tempo e que, por isso, sofreu consequências muito pouco agradáveis (lembro-me de muitos exemplos que aqui se enquadram e que foram levados a cabo pela Igreja Católica) para, posteriormente, outros parecerem originais com base nas ideias requentadas e terem ficado de forma mais relevante na história.

Esta é uma lição que, ao nível mundano e não galáctico do tipo Copérnico, tenho muita dificuldade em implementar mas nenhuma dificuldade em aceitar.
Em termos gerais, acho que é uma asserção correcta.

Assim, uma vez mais, em termos terrenos e muito pouco relevantes para o curso do mundo, chamamos a estes pioneiros os do contra. Podemos pensar numa aplicação hodierna do combate aos Velho do Restelo. Aquelas pessoas a quem apenas interessa estarem ou sentirem que estão certas; aquelas pessoas que lutam não necessariamente por ideais mas por uma situação em concreto por um motivo em concreto, que não tem de ser altruísta.
Pense-se, por exemplo, no gajo que diz sim senhor ao chefe ou no deputado que abana a cabeça em forma de apoio ao que quer que seja ou ao jogador que não coloca questões ou objecções ao modelo táctico mesmo que com ele discorde. E agora pense-se no seu contrário.

Podem dizer-me, com razão, que a história, quando olha para trás, dá valor aos revolucionários, aos que na sua época eram visionários, aos que não se contentavam em seguir a manada e, em resposta, concordando, posso perguntar como foi a sua vida na altura. A resposta, as mais das vezes, é que, enquanto eram vivos tinham uma vida menos, vá lá, glamorosa do que agora, que por cá não andam.

No meu caso, é uma questão de feitio ou de mau feitio.
Não sou nobre o suficiente para lutar por ideais e coisas etéreas mas, em contrapartida, gosto muito de ter razão ou de achar que a tenho e preciso de muito pouco mais que isso para continuar a mandar-me contra uma parede.
Visto de fora, a minha irreverência pode ser gira mas vista de dentro é menos. Assumo, também, que esta minha forma de andar não é consciente no sentido em que a quero mas inconsciente no sentido em que não consigo evitar.

Se me deixassem escolher e eu fosse suficientemente inteligente para, serenamente, optar pelo caminho que, a frio, me parece mais saudável para quem o caminha, seria um Settler e nunca um Pioneer.
Lamentavelmente, um gajo não consegue escolher certas coisa.